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‘Cabe ao médico decidir o que usar’, diz especialista sobre inibidores de apetite

Congresso liberou esse tipo de medicamento, mas Anvisa vê risco à saúde dos pacientes

Entrevista com

Alexandre Hohl, da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia

FABIANA CAMBRICOLI, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2017 | 00h21

Como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia avalia a decisão do Congresso (de liberar inibidores de apetite)?

Desde 2011, quando começou toda essa polêmica, nos colocamos contrários à decisão da Anvisa. Sempre acreditamos que cabe ao médico decidir sobre qual paciente pode usar esse tipo de medicamento. Essa deve ser a regra e não retirar o remédio do mercado. 

E quanto às críticas da Anvisa de que não há eficácia?

Existem estudos que comprovem o efeito inibidor de apetite. Há efeitos colaterais, assim como há com vários outros medicamentos. Por isso, o uso não deve ser indiscriminado. O remédio tem de estar disponível para os médicos, com receituário controlado e com fiscalização adequada.

Se já há sibutramina no mercado, por que os derivados da anfetamina, que têm mais efeitos colaterais, devem ser liberados?

São remédios mais baratos e temos muitos pacientes pobres. Temos de lembrar que as medicações disponíveis hoje, mais caras, não são ofertadas pelo SUS (rede pública).

Qual é a indicação do remédio?

Para pacientes com IMC acima de 30, ou seja, obesos, que começaram um programa de exercícios físicos e dieta e não tiveram resultado. O problema é que muitas pessoas querem usar o remédio sem nem ter tentado uma dieta ou sem ter obesidade. Por isso, precisamos ter um receituário mais rígido, do tipo B2 (o mesmo da sibutramina, que exige um cadastro na Vigilância Sanitária municipal). 

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