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Campanha de multivacinação para crianças e adolescentes começa na próxima segunda

Imunizantes tiveram esquema de aplicação alterado, mas ministério garante eficácia; há problemas no estoque da dose contra hepatite B

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2016 | 15h20

BRASÍLIA - Começa nesta segunda em todo o País a campanha nacional de multivacinação. Até dia 30, crianças e adolescentes que estejam com a carteira de vacinação atrasada devem comparecer a um dos 36 mil postos montados para atualizar o esquema. As vacinas serão dadas para crianças de até cinco anos, crianças de nove anos e adolescentes entre 10 e 15 anos. 

A atualização de hepatite B, no entanto, corre o risco de não ser feita neste momento. Há problemas nos estoques da vacina, que, pelos cálculos do ministério, serão solucionados somente quando a campanha estiver na sua fase final. A maior preocupação com hepatite B é com jovens, pois a cobertura vacinal de crianças, de acordo com a pasta, é alta. A recomendação é de que, no caso de não haver vacina para atualizar hepatite B, funcionários entrem em contato com jovens para que busquem novamente os postos, assim que o imunizante chegue.

A diretora substituta do Programa Nacional de Imunização, Ana Gorete, afirmou que, no caso das outras doenças, há doses suficientes para realizar a campanha. "O desabastecimento enfrentado nos últimos dois anos foi solucionado", disse. Foram adquiridas 19 mil doses extras para fazer a campanha. Neste ano, o esquema de aplicação de quatro imunizantes foi alterado: poliomielite, HPV, meningocócica C e pneumocócica 10 valente. O da pólio passou a ser feito por meio de três doses da vacina injetável (aos 2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de vacina oral, a da gotinha. Até ano passado, o esquema era feito com duas doses injetáveis e três orais. A mudança atende a uma recomendação da Organização Mundial da Saúde. 

No caso da HPV, o esquema vacinal passou este ano de três para duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. O esquema anterior, no entanto, continua valendo para mulheres com HIV em idade entre 9 e 26 anos. No caso da vacina meningocócica, a mudança ocorreu no reforço. Antes, ele ocorria aos 15 meses. A partir de agora, ele pode ser feito aos 12 meses. Essa é a recomendação. Há possibilidade, no entanto, de o reforço ser feito até quatro anos. No caso da pneumocócica, houve também uma mudança na necessidade dos reforços. Agora são dois em vez de três. 

Com as mudanças, houve em geral uma redução das doses extras de reforço. Uma estratégia que, de acordo com Ministério da Saúde, é adotada em virtude da realização de estudos que demonstram que a proteção está garantida, mesmo com menos aplicações da vacina. Essa mudança na estratégia ocorre num momento em que há maior dificuldade de acesso a vacinas e, ao mesmo tempo, uma redução da cobertura vacinal. Durante a apresentação, Ana alertou para a necessidade de que as metas sejam atingidas localmente.

"Vacinação é todo dia. Este é um esforço para regularizar as cadernetas", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao apresentar as peças da campanha, que começam a ser veiculadas a partir desta terça. 

CORREÇÃO: A reportagem acima foi atualizada para corrigir uma informação. No lugar de hepatice C, o correto é hepatite B. 

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