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Saúde

CAMPINAS

Campinas usa satélites e até drones para achar focos do 'Aedes'

Tecnologia da Embrapa pode servir de referência para outros municípios brasileiros; pontos com entulhos e lixo são detectados

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Marcelo Andriotti,
ESPECIAL PARA O ESTADO

17 Fevereiro 2016 | 03h00

CAMPINAS - Imagens de satélite e aéreas em alta resolução, drones e até informações sobre a direção dos ventos são algumas das armas utilizadas pela Defesa Civil de Campinas em conjunto com a Embrapa Monitoramento por Satélite para combater o mosquito Aedes aegypti. Desde sábado, 13, quando começou um mutirão na cidade com a participação de agentes de saúde e militares, as tecnologias estão sendo usadas para aumentar a eficácia da ação. Essa experiência deve servir de referência e poderá ser seguida por outros municípios brasileiros.

Segundo o coordenador regional de Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado Fernandes, o auxílio dos mapas produzidos pela Embrapa de toda a cidade otimiza recursos e facilita a estratégia de ação. “As imagens são em alta resolução e atualizadas, o que facilita a detecção dos locais com problemas e o direcionamento dos trabalhos de prevenção e eliminação dos mosquitos”.

Foram detectados, limpos e serão monitorados 125 locais chamados de pontos viciados, como depósitos irregulares de entulho e lixo na cidade. Também pode ser constatada a situação de locais de difícil acesso e imóveis fechados. “Nesses casos, também estamos usando drones”, disse Furtado.

Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, conta que o trabalho de inteligência, gestão e monitoramento territorial, feito pela empresa para a agricultura, pode ser aproveitado também para o combate ao mosquito.

“As imagens que produzimos a partir de informações de satélites são perfeitas, em alta resolução, e também temos à disposição o infravermelho e ultravioleta”, disse. Junto com imagens aéreas em alta resolução, a Embrapa trabalha para corrigir distorções e produzir mapas de qualquer região no País.

Eles podem ser abastecidos posteriormente com informações da própria Defesa Civil, dos agentes de saúde, agentes de segurança e ambientais. É possível ter nos mapas, por período, os pontos onde houve registros de dengue, zika ou chikungunya, locais de risco ou onde nunca houve casos. Com isso, dá para avaliar a cada tempo se as ações estão dando resultado.

“Outro ponto importante é para definir estratégia. Por exemplo, a fêmea do mosquito não costuma sair de um raio de 30 metros do criadouro. Mas, se ele é destruído, podem voar até três quilômetros para achar água e botar os ovos. Depois de um mutirão em um bairro, podemos informar a direção dos ventos e saber para quais regiões esses mosquitos podem ir em busca de água. Nesse caso, pode ser intensificada a aplicação do fumacê nessas áreas”, diz Miranda.

Essa parceria da Embrapa com a Defesa Civil também será utilizada para a prevenção de catástrofes naturais. Em Campinas, desde a década de 90, a Embrapa ajuda na detecção e prevenção de incêndios em matas e na zona rural. Agora, informações também são usadas em toda a região para prevenir prejuízos com enchentes.

Pelo interior. Os soldados do 2.º Grupo de Artilharia de Campanha Leve do Exército, em Itu, interior de São Paulo, tiveram dificuldade para entrar nas casas dos moradores a fim de eliminar criadouros do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika, neste fim de semana. Os 400 militares mobilizados nos dois dias - sábado e domingo, 14 - para visitar 8,8 mil imóveis na companhia de agentes de saúde, encontraram 2.831 residências com as portas fechadas, segundo dados da prefeitura.

Em muitas casas, mesmo com a presença dos soldados uniformizados, a entrada não foi permitida. O número de imóveis que não foram visitados por falta de consentimento dos moradores não foi informado. De acordo com a prefeitura, a cidade não vive situação de epidemia, por isso não houve entrada à força. No total de imóveis visitados, foram encontrados 95 focos de larvas do mosquito. O comandante da unidade, coronel Erb Lyra Leal, acompanhou pessoalmente as atividades. As ações continuam até quinta-feira.

Em Jundiaí, 80 soldados do 12o Grupo de Artilharia e Campanha (GAP) do Exército estão vistoriando casas em busca de criadouros. Os militares também orientam os moradores sobre os cuidados com a dengue. Cerca de 10 mil imóveis em 31 bairros foram visitados.

Em Sorocaba, além de 40 soldados do Exército e 30 soldados da Polícia Militar, 180 fuzileiros e oficiais da Marinha participam das ações contra a dengue. Os fuzileiros foram cedidos pelo Centro Tecnológico da Marinha, em Iperó, mas não estão entrando nas casas. Eles atuam na conscientização dos moradores, com panfletagens e palestras em escolas.

Um helicóptero do Exército usado em ocupação de favelas no Rio de Janeiro sobrevoou Ribeirão Preto no último sábado para mapear as áreas mais infestadas pelo Aedes aegypti. A cidade está em estado de emergência, com grande número de casos de dengue e zika. Três câmeras com lentes infravermelho instaladas na aeronave identificavam os pontos com acúmulo de água e orientavam as equipes em terra. O trabalho de campo continua: cerca de 60 soldados participam das ações na cidade.

A Força Aérea Brasileira (FAB) se juntou ao Exército para reforçar o combate à dengue em Pirassununga. Durante o fim de semana, homens da FAB percorreram as ruas da cidade distribuindo material informativo sobre as doenças transmitidas pelo mosquito. O contingente envolvido não foi informado. Em São José dos Campos, 30 soldados do 6.o Batalhão de Infantaria Leve do Exército, com sede em Caçapava, reforçam as equipes de saúde locais na visita às casas. Lorena, cidade da mesma região, contou com um efetivo maior, de 400 homens das Forças Armadas.

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