Carga genética contribui para colesterol alto em crianças, revela pesquisa

Estudo analisou o histórico familiar de 100 crianças e adolescentes e constatou que em 30% dos casos a alta taxa tinha ligação com a genética

Agência Brasil,

08 Agosto 2012 | 18h11

 No Dia Nacional de Controle do Colesterol, pesquisa revela que pais com colesterol alto podem transmitir o problema aos filhos pela carga genética. O estudo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia analisou o histórico familiar de 100 crianças e adolescentes, com idade entre 5 e 17 anos, e constatou que em 30% dos casos, a alta taxa tinha ligação com a genética.

A pesquisa revelou que 8% das crianças têm uma taxa elevada de LDL (colesterol ruim) e 45% delas apresentam HDL (colesterol bom), em níveis abaixo do padrão.

De acordo com a nutricionista do instituto, Renata Alves, a alimentação controlada ajuda a regular as taxas de colesterol nas crianças com predisposição genética, mas isso não impede que elas possam apresentar níveis acima do normal. “Eu mesma já vi crianças de 3 anos de idade com colesterol muito alto e que a alimentação não era necessariamente ruim”, disse.

Quando apenas um dos pais tem colesterol alterado, conta a nutricionista, existe o risco de transmissão pela carga genética. Se o pai e a mãe apresentam a elevação, as chances aumentam. Em casos de casamento entre primos, a predisposição é ainda maior. “A família carrega a carga genética e é muito provável que a criança venha a ter também”, explica.

Por isso, famílias com histórico de colesterol alto devem ficar atentos ao surgimento do problema nos filhos desde a infância, mesmo que a criança seja magra e não apresente qualquer sinal, alerta Renata Alves. Ela explica que a maior parte do colesterol é produzida no organismo e que o risco de a criança tê-lo em altos níveis não está simplesmente relacionado à quantidade de gordura corporal. “É mais a capacidade do organismo de fabricar e utilizar esse colesterol”, disse.

Quanto aos sinais, eles são praticamente inexistentes nas crianças. Segundo a nutricionista, aparecem apenas quando as taxas já chegaram a níveis muito elevados e se manifestam como “bolinhas de gordura” ao redor dos olhos ou nas articulações.

O tratamento, conforme a avaliação do médico, pode variar do uso de remédios ao simples controle da alimentação, que, no entanto, se mostrou inadequada em 87% das crianças avaliadas pela pesquisa.

Uma dieta balanceada, continuou Renata Alves, inclui o consumo de verduras, legumes e frutas para que as fibras ajudem na redução do colesterol. A substituição do pão feito com farinha refinada pelo integral também  aumenta a ingestão de fibras. A nutricionista recomenda substituir o leite integral pelo desnatado ou semidesnatado e retirar da alimentação produtos com gordura saturada (de origem animal).

De acordo com a pesquisa, 40% das crianças avaliadas são sedentárias, o que deve ser evitado. A prática de atividade física ajuda a aumentar o colesterol bom (HDL) na criança. Outro meio de regular os níveis do HDL, segundo a nutricionista, é consumir azeite, azeitona e castanhas nas refeições.

O colesterol ajuda na formação de uma capa protetora nos nervos e na produção da vitamina D, da bile e de hormônios. A maior parte (cerca de 70%) é produzida pelo fígado e o restante vem da ingestão de alimentos. Em excesso, o colesterol contribui para o entupimento das artérias, impedindo a passagem do sangue, e torna-se fator de risco para doenças cardiovasculares.

O HDL (colesterol bom) reduz o risco de acúmulo de placas de gordura. O LDL (colesterol ruim) deposita gordura nas artérias e dificulta o fluxo sanguíneo.

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