Felipe Dana/AP Photo
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Caso do ABC não é de febre amarela urbana, diz coordenador de secretaria

Segundo Marcos Boulos, forma da doença transmitida pelo 'Aedes aegypti' se dá com grande número de ocorrências

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 17h37

BRASÍLIA - O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, Marcos Boulos, descartou nesta terça-feira, 6, a possibilidade de o caso de febre amarela confirmado na segunda-feira, 5, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, ser urbano. "Não há nenhum risco", afirmou.

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Boulos argumentou que a forma urbana da doença, transmitida pela picada do Aedes aegypti infectado, geralmente ocorre com grandes explosões de casos. 

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"Na febre amarela urbana, não há infecções isoladas. Um paciente aqui, outro ali. Os casos vêm em grande quantidade. Isso já teria chamado a atenção", afirmou o coordenador, que também é professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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Ele faz um paralelo com a dengue, também transmitida por Aedes aegypti. "Quando os surtos de dengue acontecem, eles vêm sempre em grande número de casos."

O caso de febre amarela de São Bernardo foi confirmado nesta segunda. Trata-se de um homem de 35 anos que não saiu de São Bernardo e, justamente por isso, o caso é considerado autóctone - a infecção aconteceu na própria cidade. Outras duas ocorrências estavam em investigação. O caso autóctone despertou a suspeita de a forma urbana da doença ter retornado ao País. Desde 1942, o Brasil não registra casos de febre amarela transmitidos por Aedes aegypti.

Checagem

Para afastar essa hipótese, além de citar o número restrito de casos, Boulos argumenta que são realizadas com frequência pesquisas em amostras de insetos capturados nas redondezas de casas onde vivem pacientes com suspeita de febre amarela.

Uma vez identificado e feita uma investigação clínica do caso, equipes da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) entram em campo. Capturam insetos, maceram tanto Aedes quanto Haemagogus (que transmite a forma silvestre da doença) em busca do vírus da febre amarela.

"Esse é um trabalho que é feito sem parar", disse. Em nenhuma análise, afirmou, foi encontrado Aedes aegypti infectado pelo vírus da febre amarela.

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