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Ueslei Marcelino/Reuters

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Colômbia reforça suspeita de elo entre zika e microcefalia

Pesquisadores acreditam que confirmação de caso deva contribuir para dissipar ‘teorias da conspiração’ sobre a má-formação

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Fábio de Castro,
O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2016 | 03h00

A confirmação do primeiro caso de microcefalia possivelmente ligada ao vírus da zika na Colômbia – segundo país com mais casos de infecção no continente – já era esperada pelos cientistas e derruba as teses de que algum outro fator poderia estar potencializando o vírus no Brasil, de acordo com pesquisadores ouvidos pelo Estado

O Instituto Nacional de Saúde (INS) da Colômbia relatou nesta quarta-feira, 24, o caso de uma jovem de 18 anos, em Popayán, no sudoeste do país, que fez um aborto depois que os médicos comprovaram que o feto tinha “anomalia congênita incompatível com a vida”. A mulher estava sob supervisão médica por antecedente de infecção por zika. A coleta da amostra de líquido amniótico deu positivo para a transmissão do vírus da mãe para o filho, segundo o INS. 

Para José Eduardo Levi, professor da USP e chefe do Departamento de Biologia Molecular do Hemocentro de São Paulo, a ligação entre zika e casos de microcefalia na Colômbia já era esperada. “Era preciso ser prudente antes de afirmar isso, mas acreditávamos que o surgimento da microcefalia associada ao zika em território colombiano era apenas questão de tempo. A zika chegou antes em território brasileiro e provavelmente o vírus foi daqui para a Colômbia. Apenas por essa razão os casos de microcefalia ligada ao zika demorariam mais para aparecer por lá”, afirmou Levi.

Segundo ele, a confirmação do caso colombiano reforça o elo entre o vírus e a doença. “É um dado importante do ponto de vista epidemiológico. É péssima notícia que a microcefalia tenha sido ligada ao zika na Colômbia, mas isso permite que tratemos a questão com mais transparência e o foco vá para o vírus, em vez de ficarmos procurando outras causas”, explicou.

De acordo com Maurício Lacerda Nogueira, virologista da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), a confirmação ajuda a descartar as “teorias da conspiração” que associavam a microcefalia a larvicidas, vacinas e outros fatores alheios ao vírus. “Muita gente questionava o elo por causa da ausência de casos na Colômbia. Eu costumava responder que eles surgiriam, infelizmente, bastava esperar.”

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