Caso PIP: fabricante de silicone adulterado pega 4 anos de prisão

A fraude dos implantes mamários veio à tona em 2011, quando muitas mulheres prestaram queixas sobre rupturas

Com agências internacionais,

10 Dezembro 2013 | 17h43

Após admitir que usou silicone clandestino para fabricar próteses mamárias, o fundador da Poly Implante Prothese (PIP) foi condenado nesta terça-feira, dia 10, a quatro anos de prisão por uma corte de Marselha, na França. A sentença contra Jean-Claude Mas, de 74 anos, é o desfecho de um escândalo que causou pânico ao redor do mundo em 2011. Na época, a França recomendou que mulheres que usavam os implantes os removessem devido ao elevado risco de ruptura. Cerca de 300 mil mulheres, de vários países, adquiriram as próteses. No Brasil, a marca foi proibida em 2010, mas antes disso 25 mil unidades foram comercializadas.

Outros quatro acusados de participação na fraude, todos ex-diretores da empresa, foram condenados a penas que variam entre 18 meses e três anos de prisão. O ex-empresário Mas também foi condenado a pagar 75 mil euros de multa e recebeu uma proibição definitiva de atuar no setor médico e de dirigir empresas. Seu advogado, Yves Haddad, anunciou que vai recorrer. "Estou decepcionado, mas não surpreso", disse. "Não fomos ouvidos, a pressão era muito forte", acrescentou.

O veredicto foi divulgado sete meses após o julgamento, que reuniu no tribunal 300 advogados e muitas vítimas. Nesta terça-feira, dia 10, quase 50 vítimas estavam no tribunal. Uma delas, Nathalie, declarou que a sentença "tira um peso de seus ombros". Mas, "para as vítimas, isso não terminou", completou.

Trata-se de uma "resposta rápida e coerente da justiça", declarou o advogado Philippe Courtois, afirmando que "é um alívio para as vítimas serem reconhecidas como tais".

O escândalo das próteses mamárias PIP foi descoberto em março de 2010. A empresa utilizava um gel de silicone não homologado para uso médico em vez do gel Nusil  - autorizado e que a empresa declarava utilizar.

Durante o julgamento, todos reconheceram a fraude, embora Mas, que pediu desculpas às vítimas, tenha negado que as próteses poderiam ser prejudiciais à saúde. Ele admitiu que o silicone usado nunca havia sido aprovado pelos órgãos reguladores, mas insistiu que o gel, aplicado desde a fundação da empresa, em 1991, não era tóxico. Os outros acusados, com apenas uma exceção, declararam que ignoravam os riscos.

O último balanço da Agência francesa de Produtos Médicos (ANSM) indica que ocorreram mais de 7.500 rupturas de próteses e 3 mil efeitos indesejáveis, principalmente reações inflamatórias.

Mais conteúdo sobre:
silicone PIP próteses

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.