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Casos de microcefalia quadruplicam na Colômbia

Neste ano, número de casos chegou a 476, ante 110 no mesmo período do ano passado; nos EUA, Miami Beach é declarada área livre do zika

O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2016 | 21h41

O total de casos de microcefalia na Colômbia já é quatro vezes maior em 2016, na comparação com o ano anterior, informou nesta sexta-feira, 9, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano. Ao lado do Brasil, a Colômbia esteve entre os países mais afetados pelo zika na América Latina desde 2015.

Na Colômbia, foram 476 registros de bebês microcéfalos - 44 não sobreviveram - entre fevereiro e a metade de novembro, ante 110 casos reportados no mesmo período do ano passado. Em julho, seis meses após o pico de infecções no país, o total de ocorrências chegou a ser nove meses mais alto do que no mesmo mês do ano anterior. 

Segundo o CDC, isso “confirma que países com epidemia de zika têm maior probabilidade de sofrer com surtos de microcefalia e outras más-formações”. O órgão americano também afirma que a infecção nos primeiros meses de gravidez traz mais riscos ao feto. O total de registros na Colômbia, no entanto, é bem inferior ao do Brasil. Uma limitação dos números do CDC é que não há nenhuma comprovação laboratorial de infecção por zika de todos os bebês microcéfalos. 

Para os autores do relatório, um dos fatores que explicam a diferença é o fato de as colombianas terem sabido sobre os riscos da doença antes de avançar o surto, uma vez que a alta de casos de microcefalia no Brasil alertou países vizinhos. Os números também indicam que muitas mães adiaram a gestação na Colômbia. A quantidade de nascimentos no país caiu em 18 mil entre 2015 e 2016. 

As leis mais permissivas para o aborto na Colômbia, ainda segundo os especialistas, também podem explicar a disparidade registrada. No Brasil, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afirmou que pretende discutir ainda neste ano o pedido para autorizar a interrupção da gravidez nos casos de infecção por zika. O pedido foi levado à corte pela Associação Nacional dos Defensores Públicos. 

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 29 países ou territórios já reportaram casos de bebês com má-formação associada à zika. O último foi a Nicarágua, que teve dois casos de microcefalia.

Miami. Nesta sexta, o governador da Flórida, Rick Scott, declarou livre do vírus da zika o último foco de transmissão, localizado em Miami Beach. Segundo ele, está livre do vírus uma zona de South Beach, de 3,8 km², que compreende o distrito Art Deco e a Lincoln Road.

Este era o último foco de zika autóctone ativo desde que autoridades identificaram o primeiro na região, em julho. O foco de transmissão é declarado livre quando um novo caso não é registrado em ao menos 45 dias.

Até hoje, 1.244 pessoas foram contagiadas por zika na Flórida. Houve 249 casos autóctones, 980 relacionados a viagens para zonas de risco no exterior e 185 de mulheres grávidas.

No Estado do Texas, porém, foram identificados nesta sexta mais quatro casos de infecção autóctone por zika. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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