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Luis Robayo/AFP

Zika e microcefalia devem aumentar no Sudeste, diz ministério

Para Cláudio Maierovitch, o risco existe porque maior parte da população das grandes cidades da região é suscetível ao vírus

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Lígia Formenti,
O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2016 | 13h04

BRASÍLIA - O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, afirmou nesta quinta-feira, 25, haver risco de o número de casos de zika e de microcefalia aumentar no País, sobretudo nas grandes cidades do Sudeste. Ele disse que a região não teve até o momento circulação importante do vírus. Por essa razão, a maior parte da população é suscetível. 

Maierovitch acredita que autoridades sanitárias brasileiras têm uma percepção semelhante àquela apresentada na quarta pela diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan. Em entrevista, ela apontou o risco de a epidemia piorar antes de que melhoras nos indicadores começassem a ser observadas. 

A maior preocupação, de acordo com Maierovitch, é o Rio, em razão da Olimpíada. O diretor observou haver uma tendência histórica de redução de casos de dengue a partir de julho, quando as condições climáticas passam a ser desfavoráveis para a reprodução do mosquito vetor, o Aedes aegypti. A previsão é que a tendência se repita com relação ao zika. Há também uma expectativa de que, com as ações de combate ao criadouros, esse risco se reduza ainda mais a partir de julho. “É essa a expectativa. Como se trata de um vírus novo, não podemos ter plena convicção.” Daí a necessidade de se reforçar as medidas de prevenção.

Maierovitch acredita que os indicadores de dengue - um termômetro para avaliar a quantidade de criadouros de mosquito do País - começarão a cair a partir de março. É esse o tempo necessário, calcula, para que ações de combate ao vetor passem a refletir também nas estatísticas sobre as doenças relacionadas ao mosquito.

Repelente. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou que o governo deve desembolsar R$ 300 milhões para a compra de repelentes que serão distribuídos para gestantes atendidas pelo Bolsa Família. A estratégia tem como objetivo reduzir o risco de casos de zika entre grávidas e, consequentemente, de nascimento de bebês com microcefalia. Ainda não há prazo para o início da distribuição. O maior entrave é a forma da compra. Ela deve ser feita por meio de um pool de empresas, que se comprometeriam a ofertar uma cesta de produtos.

Nos próximos dias, será aberta uma chamada para fabricantes apresentarem propostas. Como o tamanho de cada produto varia (alguns apresentam volume maior do que outros) e a indicação de reaplicação também, pode ainda haver uma variação sobre quantos produtos seriam indicados para cada gestante. O cálculo realizado, no entanto, é de uma média de cinco frascos para cada uma.

Nesta quinta, Castro alertou para a seriedade do período enfrentado pelo País. “O momento é visto por todos os pesquisadores como um dos mais difíceis da saúde pública brasileira e mundial”, disse Castro, em uma audiência realizada no Senado para discutir o problema. “Não é à toa que a última vez que o Brasil havia declarado emergência pública foi em 1917, com a gripe espanhola.”

O ministro voltou a afirmar que a tarefa de se combater o mosquito não cabe apenas ao governo federal. “O mosquito não tem filiação partidária. A responsabilidade é de todos brasileiros e de toda humanidade.” Ele ressaltou a necessidade do trabalho do poder municipal, da sociedade civil e chegou a sugerir que pessoas “inspecionem seus vizinhos” em busca de focos do mosquito Aedes. 

Questionado sobre os gastos com vigilância, Castro fez uma comparação com o que foi investido na área durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Segundo ele, entre 1995 e 2002, foram aplicados R$ 20,63 bi. Durante o governo Lula, foram investidos R$ 44,1 bilhões e nos 5 anos da presidente Dilma, R$ 53 bilhões. “Todos reconhecemos que não é suficiente. Precisamos de mais”, concluiu.

Mais uma vez, o ministro praticamente descartou a possibilidade da incorporação da vacina contra dengue produzida pela Sanofi Pasteur na rede pública de saúde. Ele observou que o imunizante, que já recebeu aval da Anvisa para comercialização no Brasil, é caro, tem de ser aplicado em três doses e, sobretudo, não é indicado para um público-alvo considerado essencial pelo governo: crianças e idosos. “Na vacina da dengue, as crianças abaixo de 10 anos e os mais idosos são prioridade. E essa vacina não presta para isso.”

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