Cerca de 5,2 milhões de pessoas usaram antirretrovirais contra aids em 2009

Entre 2003 e 2010, número de pacientes que recebem tratamento aumentou 12 vezes, segundo a OMS

AP

19 Julho 2010 | 12h21

VIENA - O número de pessoas com aids em tratamento no mundo subiu de 1,2 milhão para 5,2 milhões no passado, informou a Organização Mundial da Saúde nesta segunda-feira, 19.

Entre 2003 e 2010, a quantidade de pacientes que recebem tratamento com antirretrovirais aumentou 12 vezes, segundo a OMS. "Estamos muito animados com esse aumento. Na verdade, é o maior aumento que temos visto em um único ano'', disse o diretor do Departamento de HIV/Aids da OMS, Gottfried Hirnschall.

Hirnschall, em uma entrevista recente à Associated Press, disse que o salto se deve a um maior acesso ao tratamento em todo o mundo. No entanto, ele observou que o progresso tem sido mais significativo na África Subsaariana que em outros lugares.

"Essa região é, obviamente, onde há a maior necessidade de tratamento, mas é também onde nós realmente vimos o mais impressionante crescimento em termos de acesso ao tratamento", disse Hirnschall.

Não só os líderes africanos compreenderam a gravidade da situação e mostraram compromisso político, como também houve solidariedade internacional em termos de concessão de financiamento para projectos na região, acrescentou.

"Mas o trabalho não acabou, ainda há um longo caminho a percorrer", alertou Hirnschall, que está atualmente na capital austríaca para participar da Conferência Internacional de Combate à Aids.

No Leste Europeu, entretanto, há proporcionalmente menos pessoas em tratamento do que em outras partes do mundo, porque usuários de drogas muitas vezes não são incluídos no tratamento ou têm acesso suficiente a ele, disse o diretor.

Usuários de drogas são "criminalizados, estigmatizados, obviamente um grupo que sofre com a desigualdade e a violação dos direitos humanos, e isso é obviamente uma preocupação séria para todos nós", afirmou Hirnschall.

Enquanto na África a aids é uma epidemia principalmente heterossexual, no Leste Europeu a maioria dos casos de transmissão ocorre entre usuários de drogas.

Estatísticas completas sobre a situação global da aids serão divulgadas em um relatório em setembro.

A organização Médicos Sem Fronteiras comemorou a notícia sobre a ascensão de pessoas que recebem tratamento contra aids, mas advertiu que o avanço desses números pode ser dificultado por um financiamento insuficiente de entidades internacionais.

"A grande preocupação agora é que esse movimento ascendente pode ser interrompido", disse Tido von Schoen-Angerer, que lidera a campanha de acesso a medicamentos essenciais da organização. "Nós não podemos voltar atrás agora."

Von Schoen-Angerer disse que já há sinais de queda de financiamento, com clínicas em Uganda sendo forçadas a dispensar pacientes. "Há um medo de que tenhamos isso em maior escala", disse.

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