Cientistas desvendam alguns dos segredos da Mona Lisa

Da Vinci usou dezenas de camadas finas de tinta para suavizar os contornos do famoso retrato

Associated Press

16 Julho 2010 | 14h27

A Mona Lisa é examinada com equipamento de alta tecnologia. V.A. Sol/AP

 

O sorriso enigmático continua um mistério, mas pesquisadores franceses dizem ter desvendado alguns segredos de uma das pinturas mais famosas do mundo, a Mona Lisa.

 

Cientistas estudaram sete pinturas de autoria de Leonardo da Vinci expostas no Museu do Louvre, para analisar o uso, pelo mestre, de sucessivas camadas extremamente finas de tinta - uma técnica que dava a seus quadros uma qualidade de sonho.

 

Especialistas do Centro de Pesquisa e Restauração de Museus da França descobriram que Da Vinci pintou cerca de 30 camadas em seus trabalhos para atingir o grau de sutileza que desejava. Todas juntas, essas camadas têm menos de 40 micrômetros, ou metade da espessura de um cabelo humano, disse o pesquisador  Philippe Walter.

 

A técnica, chamada "sfumato", permitiu que Da Vinci desse aos contornos uma qualidade nebulosa e criasse a ilusão de profundidade e sombra. O uso da técnica pelo gênio renascentista é bem conhecido, mas o estudo científico dela era limitado, porque as análises muitas vezes requeriam amostras das telas.

Os pesquisadores agora usaram uma técnica não invasiva, chamada espectroscopia de fluorescência de raios X, para estudar as camadas das pinturas e sua composição química.

 

Eles levaram o equipamento especialmente construído ao museu quando a instituição estava fechada e estudaram os rostos nos quadros, que são emblemáticos do sfumato.

 

O projeto foi desenvolvido em conjunto com a Instalação Europeia de radiação Síncrotron.

 

A ferramenta mostrou-se tão precisa que "agora podemos determinar a mistura de pigmentos usada pelo artista em cada camada de tinta", disse Walter. "E isso é muito importante para entender a técnica".

A análise mostrou ainda que Da Vinci testava novas técnicas constantemente, disse Walter. na Mona Lisa, ele usou óxido de manganês nas sombras. Em outras, cobre. Os resultados foram publicados na publicação especializada em química Angewandte Chemie.

 

Segundo a tradição, Mona Lisa é um retrato de Lisa Gherardini, mulher do mercador florentino Francesco del Giocondo, e que começou a ser pintado em 1503.

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