Petr Josek/AP
Petr Josek/AP

Cientistas exumam restos mortais do astrônomo dinamarquês Tycho Brahe

Pesquisadores vão recolher amostras para desvendar sua morte súbita e misteriosa, em 1601

15 Novembro 2010 | 13h01

PRAGA - Uma equipe internacional de cientistas iniciou nesta segunda-feira, 15, a abertura da tumba do astrônomo dinamarquês Tycho Brahe, que viveu no século 16, em um esforço para desvendar sua morte súbita e misteriosa.

Brahe, que nasceu em 1546, foi enterrado em 1601 na Igreja de Nossa Senhora Diante de Týn, perto da Praça da Cidade Velha, em Praga, na República Tcheca.

O astrônomo estava em Praga a convite do Sacro Imperador Romano Rodolfo II, após deixar seu observatório científico na ilha de Hven, entre a Dinamarca e a Suécia, e ter se desentendido com o rei dinamarquês.

Suas observações estelares e planetárias extraordinariamente precisas, que ajudaram a lançar as bases da astronomia moderna, são bem conhecidas e documentadas, mas um mistério ainda envolve sua súbita morte.

Por muito tempo, pensou-se que ele havia morrido de infecção urinária. A famosa lenda dizia que o problema foi um resultado de sua hesitação para ir ao banheiro com receio de quebrar a etiqueta da corte durante uma recepção.

Mas testes realizados em 1996 na Suécia e, depois na Dinamarca, com amostras de bigode e cabelo - obtidos em uma exumação anterior, em 1901 -, indicavam níveis anormalmente elevados de mercúrio, conduzindo a uma teoria de envenenamento, até possível assassinato.

O professor de arqueologia medieval Jens Vellev, da Universidade Aarhus, na Dinamarca, liderou a equipe de cientistas da Dinamarca e da República Tcheca que iniciaram a abertura da tumba nesta segunda.

Vellev disse ter decidido, há nove anos, a pedir autorização à igreja e às autoridades de Praga para abrir o túmulo novamente, porque não foram feitos registros arqueológicos apropriados na exumação de 1901, e ele esperava reunir melhores amostras de cabelo, bigode e ossos, que poderiam ser analisadas por tecnologias contemporâneas. "Como homem da ciência, ele é importante para o mundo inteiro'', afirmou Vellev.

O cientista disse que os testes incluirão uma tomografia computadorizada e técnicas de raio X conhecidas como "análise de PIXE", que serão realizados não Instituto de Pesquisa Nuclear AS, em Rez (próximo a Praga). Segundo Vellev, os exames ajudarão a estabelecer a ingestão de mercúrio por Brahe em suas últimas semanas de vida, quando ele aparentemente tomava remédios que continham mercúrio para aliviar a dor.

"Talvez possamos chegar perto de uma resposta, mas não acho que teremos uma solução definitiva para essa pergunta", declarou o cientista. A equipe tem até esta sexta-feira, 19, para exumar os restos mortais de Brahe e de sua esposa, que três anos depois foi enterrada ao lado dele, e recolher as amostras necessárias. Os resultados da análise devem ser anunciados em 2011.

Os pesquisadores também estão interessados no crânio de Brahe. Quando era estudante, ele teve parte do nariz cortado em um duelo com um nobre colega, e substituiu o pedaço por uma placa de metal - que não foi encontrada em 1901, mas os exames devem ser capazes de determinar do que ela era feita, disse Vellev.

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