Peter Dazeley/Getty Images
Peter Dazeley/Getty Images

Cientistas gregos dizem ter descoberto método para reverter menopausa

Segundo os pesquisadores, mulheres que não produziam mais óvulos podem ser capazes de ter filhos após tratamento normalmente usado para curar feridas

O Estado de S.Paulo

22 Julho 2016 | 10h46

ATENAS - Um equipe de médicos e cientistas da Grécia afirma ter descoberto um método para rejuvenescer os ovários de mulheres que pararam de menstruar, permitindo a liberação de óvulos férteis e revertendo, assim, a menopausa. A informação foi publicada no site da revista científica New Scientist.

Segundo a publicação, os cientistas garantem que a técnica é capaz de reverter o período de menopausa nas mulheres, até mesmo entre aquelas que não menstruavam havia cinco anos. Os resultados precisam de uma análise mais ampla, mas - se comprovado - o método pode contribuir para combater a redução da fertilidade em mulheres mais velhas, ajudar as que têm menopausa precoce a engravidar e evitar efeitos prejudiciais à saúde.

"A técnica oferece uma janela de esperança para as mulheres na menopausa de que são capazes de engravidar usando seu próprio material genético", declarou à New Scientist Konstantinos Sfakianoudis, ginecologista da clínica de fertilidade grega Genesis Atenas, responsável pelos testes.

Para trazer de volta o relógio da fertilidade a mulheres que entraram na menopausa precocemente, Sfakianoudis e seus colegas utilizaram um tratamento de sangue já existente, mas que costuma ser aplicado na cura de feridas.

De acordo com a New Scientist, a técnica plasma rico em plaquetas (PRP) é feita por meio da centrifugação de uma amostra de sangue de uma pessoa para isolar fatores de crescimento - moléculas que desencadeiam o aumento do tecido e dos vasos sanguíneos. O método é amplamente usado para acelerar a reparação de ossos e músculos lesionados, apesar de a sua eficácia não ser clara.

A equipe de Sfakianoudis descobriu que o PRP também aparenta rejuvenescer os ovários mais velhos e apresentou os resultados na reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia em Helsinque, na Finlândia. Os cientistas afirmaram que, ao injetar PRP nos ovários de mulheres na menopausa, elas reiniciaram seus ciclos menstruais, conseguindo recolher e fertilizar os óvulos lançados.

"Eu tive uma paciente cuja menopausa havia começado cinco anos atrás, com a idade de 40", disse Sfakianoudis. Segundo ele, seis meses após a equipe injetar PRP em seus ovários, ela entrou em seu primeiro período de menopausa.

Desde então, a equipe de Sfakianoudis conseguiu recolher três óvulos dessa paciente e afirmou ter fertilizado com sucesso dois deles, usando o esperma do marido dela. Os embriões estão agora no gelo. Os pesquisadores esperam até que haja, ao menos, três antes de implantá-los no útero da mulher.

Envelhecimento. As mulheres nascem com todos os óvulos. Entre a puberdade e a menopausa, o número de diminui de forma constante, com o pico da fertilidade previsto para os 20 e poucos anos, explicou Sfakianoudis. Em torno dos 50, quando ocorre normalmente a menopausa, o ovário para de liberar óvulos, mas a maior parte das mulheres já está infértil a essa altura e a ovulação se torna menos frequente. O problema é que várias entram precocemente no período de menopausa. 

O professor sênior de Medicina Reprodutiva da Escola Médica de Hull York, no Reino Unido, Roger Sturmey, disse à revista científica que a pesquisa grega é "potencialmente muito emocionante". "Mas também abre questões éticas sobre qual é o limite de idade para ser mãe." /COM INFORMAÇÕES DA NEW SCIENTIST

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