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Cientistas sequenciam pela primeira vez o genoma do trigo

Associated Press - AP

27 Agosto 2010 | 14h 12

O genoma do trigo é cinco vezes maior que o humano, e muito mais longo que o de outros cereais

Pesquisadores britânicos decodificaram a sequência genética do trigo, um dos mais antigos e importantes produtos da agricultura mundial, num desenvolvimento que, esperam, ajudará o cereal a enfrentar as ameaças do aquecimento global, doenças e crescimento populacional.

 

Mais área agricultável do mundo é dedicada ao trigo do que há qualquer outro cereal, e os pesquisadores disseram que estão publicando o genoma na internet, na esperança de que cientistas possam usá-lo como ferramenta para melhorar a produtividade. Um estudioso da área referiu-se à descoberta como "um marco".

 

"O genoma do trigo é o santo graal dos genomas vegetais", disse Nick Talbot, professor de biociências da Universidade de Exeter e que não tomou parte no trabalho. "Vai revolucionar a forma como o cultivamos".

 

O pesquisador Neil Hall, da Universidade de Liverpool, cuja equipe obteve o genoma, disse que no fim a informação  ajudará produtores de variedades de trigo a identificar melhor as variações genéticas responsáveis pela resistência às doenças, tolerância da seca e produtividade.

 

Embora a sequência genética obtida ainda seja um rascunho, e variedades diversas de trigo ainda precisem ser analisadas antes que o trabalho tenha efeitos práticos, Hall previu que não demorará muito para que o resultado comece e ter impacto nos campos.

 

"Espero que os benefícios deste trabalho cheguem nos próximos cinco anos", disse ele.

 

O trigo é praticamente um retardatário no mundo dos genomas. Este ano marca o décimo aniversário do sequenciamento do genoma humano. Outras plantas da agricultura tiveram seu código genético desvendado nos últimos anos - arroz em 2005, milho em 2009, soja neste ano.

 

A razão para a demora no genoma do trigo, disse Hall, foi causada pelo fato de a sequência ser enorme - muito maior que milho ou arroz e cinco vezes maior que a humana.

 

Uma razão para o genoma extragrande é que algumas variedades têm até seis cópias de um mesmo gene, e o fato de a ancestralidade do trigo ser um emaranhado de espécies de gramíneas silvestres.

 

Embora o código possa vir a ser usado na criação de variedades transgênicas, Hall fez questão de destacar as aplicações mais convencionais de seu trabalho, poupando tempo e esforço no processo natural de seleção de variedades híbridas.