Alex Silva / Estadão
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Cirurgias pós-maternidade crescem entre mulheres com mais de 35 anos

Sociedades da área não têm dados específicos sobre o chamado mommy makeover, mas médicos observam alta de até 30% em dois anos; porcentual de mulheres que se tornam mãe entre 30 e 39 anos passou de 22,5% para 30,8% em uma década

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 03h00

A busca por cirurgias plásticas para retomar as medidas anteriores à gravidez – também conhecidas como mommy makeover (ou reforma da mamãe) – tem crescido no País especialmente entre mulheres com mais de 35 anos. São procedimentos focados na região abdominal e das mamas, como lipoaspiração, abdominoplastia e mastopexia. A orientação é que as mães que desejam se submeter às cirurgias aguardem pelo menos um ano após a amamentação, mas há quem espere somente seis meses.

Sociedades da área não têm um levantamento específico sobre o mommy makeover, mas especialistas ouvidos pelo Estado apontam alta de até 30% em suas clínicas nos últimos dois anos entre mães com mais de 35 anos. Esse crescimento integra o cenário, cada vez mais frequente, de adiamento da gravidez. Dados divulgados em novembro de 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em dez anos o porcentual de mulheres que se tornam mãe entre 30 e 39 anos passou de 22,5% para 30,8%.

“Esse é um movimento que não se via quando a gravidez era pouco frequente após os 35 anos. Todos os anos fazemos pesquisas com os cirurgiões plásticos, e em 2018 vamos incluir questões sobre os procedimentos nesta faixa etária”, afirma o diretor da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), Carlos Uebel.

De acordo com os médicos, as mulheres que procuram as cirurgias depois da maternidade buscam recuperar a autoestima, relatam dificuldade de alcançar a forma física desejada com exercícios físicos e alimentação e, em geral, estão decididas a não ter mais filhos.

“Certamente as mães estão vindo ao consultório mais cedo no período pós-parto para entender quais procedimentos podem ser realizados. O perfil é a mulher que já está com a família constituída e sofreu grandes alterações na forma física”, diz Luís Felipe Maatz, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que relata aumento de 30% nos procedimentos.

É o caso da arquiteta Andrea Oliveira, de 37 anos, que teve o filho aos 35. Decidida a não engravidar novamente, ela se submeteu a intervenções na região abdominal e nas mamas – colocou próteses e passou por cirurgia para levantá-las. “Todas as mães que eu conheço querem colocar o corpo em ordem. A gravidez muda muito o corpo e, depois da cirurgia, retomamos a parte estética e a autoestima.” 

Também membro da SBCP, o cirurgião plástico André Colaneri destaca que as mulheres devem esperar no mínimo um ano depois do fim da amamentação para se submeter ao procedimento. “O ideal seria esperar dois anos, porque a criança já estará andando. Antes disso, é preciso pegá-la muito no colo.”

Colaneri, que observou aumento em torno de 20% na procura por essas cirurgias, afirma que quando a mulher quer mais de um procedimento a cirurgia pode ser feita em etapas, mas há casos de pacientes que realizam mais de uma intervenção no mesmo dia. “Hoje, elas costumam operar em um intervalo menor (após o parto). Não esperam muito quando já sabem que não vão ter mais filhos.”

Uma empresária de 36 anos, que pediu para não ter seu nome divulgado, esperou seis anos após o nascimento do segundo filho para se submeter, em junho, às cirurgias. “Depois dos 35 anos é mais difícil manter o corpo. Dei o intervalo porque queria ter certeza de que não teria mais filhos.” Embora pratique corrida e musculação, ela não conseguia uma forma física que a agradasse. “Não ficava sem roupa na frente do meu marido e só usava blusas folgadas. Agora, não vejo a hora de ir à praia.”

Menos de 35. Mulheres que se tornaram mães mais jovens também buscam a cirurgia quando não querem ter outro filho. A bancária Tatiane Velasques, de 27 anos, resolveu fazer abdominoplastia, lipoaspiração e lipoenxertia de glúteos em junho deste ano, um ano após ter a segunda filha e decidir que não engravidaria novamente. “Falei com meu ginecologista sobre a vontade de me submeter à cirurgia plástica assim que ela nasceu”, diz Tatiane, que já tinha uma filha de 9 anos. “Não queria ir à praia com outras pessoas, só ia se fosse com o meu marido e minhas filhas. Morria de vergonha.”

Ao longo da gravidez, o corpo da mulher passa por uma série de alterações físicas e hormonais que continuam ocorrendo no pós-parto. Por isso, os cirurgiões plásticos recomendam que a mulher espere no mínimo um ano após a amamentação para se submeter às intervenções. 

“O corpo tem de voltar às condições normais de hormônios e tecidos. É importante aguardar pelo menos um ano após o final da amamentação. É condenável fazer antes disso”, explica José Octavio Gonçalves Freitas, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Alan Landecker, cirurgião plástico e membro da SBCP, alerta que o resultado do procedimento pode ser comprometido quando não é feito no prazo correto. “Os tecidos estarão inchados e o cirurgião perde parâmetro. O resultado pode ser ruim do ponto de vista estético. A cirurgia de contorno só pode ser feita no peso ideal ou próximo disso.”

Fase pós-cirúrgica. Landecker destaca que o prazo de recuperação, que costuma ser de um mês, também deve ser respeitado. “A paciente não pode pegar peso, usar os braços com intensidade e precisa de muita ajuda para realizar suas atividades. O resultado das plásticas vem seis meses após a cirurgia, quando os tecidos desincham e adquirirem a forma final.” 

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