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Coca, Ambev e Pepsi deixam de vender refrigerante a escolas

Empresas passam a oferecer apenas água mineral, suco, água de coco e bebidas lácteas a colégios com alunos de até 12 anos

Felipe Cordeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2016 | 14h17

SÃO PAULO - A Coca-Cola, a Ambev e a PepsiCo anunciaram nesta quarta-feira, 22, que, a partir de agosto, as empresas deixarão de vender refrigerantes a cantinas de escolas com crianças de até 12 anos e oferecerão apenas água mineral, suco, água de coco e bebidas lácteas que atendam a critérios nutricionais específicos.

As companhias afirmaram, em comunicado, que a estratégia faz parte de uma “mudança no portfólio de bebidas para escolas em todo o País”. Segundo as três empresas, a venda de produtos nos colégios terá foco em hidratação e nutrição, a fim de contribuir para uma alimentação mais equilibrada.

“A obesidade é um problema complexo, causado por muitos fatores, e as empresas de bebidas reconhecem seu papel de ser parte da solução”, declararam a Ambev, a Coca e Pepsi. “No momento do recreio, os alunos têm acesso às cantinas escolares sem a orientação e a companhia de pais e responsáveis. E crianças com menos de 12 anos ainda não têm maturidade suficiente para tomar decisões de consumo.”

As empresas disseram que a mudança tomou por base conversas com especialistas em saúde pública, alimentação e nutrição, “além de profissionais e instituições ligadas aos direitos das crianças”.

O comunicado informa ainda que a política valerá para as cantinas que compram diretamente das fabricantes e de seus distribuidores. “Em relação às demais, aquelas que se abastecem em outros pontos de venda (supermercados, redes de atacados e adegas, por exemplo), haverá uma ação de sensibilização desses comerciantes por meio da qual todos serão convidados a se unir à iniciativa.”

As três companhias declararam que estão em contato com a Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir) para que essas diretrizes de venda de bebidas a escolas sejam um compromisso de todo o setor.

Riscos. Para Maria Flávia Sgavioli, nutricionista funcional da Estima Nutrição, além de colaborar no desenvolvimento de quadros de sobrepeso ou obesidade por causa do excesso de açúcar, o refrigerante traz outros riscos à saúde das crianças. “É uma bebida com muita acidez. E quando consumimos produtos muito ácidos, o organismo, para neutralizar, usa alguns nutrientes do corpo, como o cálcio, e isso prejudica o sistema ósseo, que perde esses nutrientes, ainda mais na fase de desenvolvimento, como a infância”, diz.

A especialista ressalta que a medida anunciada pelos fabricantes de refrigerante de suspender a comercialização do produto em cantinas de escolas é positiva. “A criança não sabe o que é saudável. Não sabe o que o consumo de determinado produto pode causar a ela no futuro, então já tirar essa possibilidade de ela comprar é um grande passo”, afirma.

Maria Flávia ressalta, no entanto, que o refrigerante não é o único vilão da alimentação infantil. “Os sucos industrializados de caixinha ou de latinha têm quantidade de açúcar igual ou até maior que os refrigerantes e também têm acidez”, afirma ela.

Para a nutricionista, o ideal é que os pais procurem dar aos filhos bebidas como água mineral, água de coco, sucos naturais ou chás.

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