Com 13 anos de atraso, SUS oferecerá exame PET contra o câncer

Segundo médico, estudos mostram que uso do equipamento permite economia na saúde

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

23 Abril 2014 | 21h02

BRASÍLIA - Exame considerado por médicos como fundamental para o acompanhamento de pacientes que tiveram ou estão com câncer, o PET-CT passará a ser ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão ocorre com atraso de pelo menos 13 anos em relação às clínicas particulares e num formato ainda muito acanhado, avaliam sociedades médicas.

O acesso será permitido para pacientes com linfoma, com câncer de intestino grosso, lesão hepática e em alguns casos de câncer de pulmão. Uma lista de opções bem menor do que a ofertada para usuários de planos de saúde. Desde o início do ano, operadoras são obrigadas a garantir o exame para pelo menos oito indicações. Entre elas, casos de câncer de mama, de pele e cabeça e pescoço.

"É o primeiro passo, mas esperávamos mais", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, Celso Ramos. De acordo com ele, estudos demonstram que o uso do PET permite uma economia na área de saúde. "Os tratamentos são mais dirigidos. São evitados tratamentos e cirurgias desnecessários e, além disso, o exame traz mais chances de diagnosticar precocemente novos focos de câncer no paciente."

A assessora técnica da Secretaria de Atenção à Saúde, Inez Gadelha, rebate as críticas. "A decisão foi adotada de acordo com critérios rígidos, em evidências que demonstram quais as melhores indicações, com melhores resultados." Inês afirmou não conhecer o rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS).

"O que posso dizer é que nos baseamos nas evidências mais robustas." Ela avalia ainda que sociedades médicas têm tendência de supervalorizar determinados exames de diagnóstico. "São clínicas particulares. É legítimo o interesse, mas temos de ser criteriosos."

Caro. Pelos cálculos do Ministério da Saúde, 20 mil pacientes serão diretamente beneficiados pelo exame. O investimento com os exames será de R$ 31 milhões anuais.

Além de uma indicação acanhada, Ramos disse estar preocupado com a forma de implementação do sistema. Embora o PET de forma geral tenha um impacto positivo na economia, ele é um exame caro. A dose do radiofármaco usada no teste custa, em média, R$ 800. "É preciso garantir que o tratamento seja feito com qualidade. De nada adiantaria pagar uma quantia baixa pelo procedimento se houver uma redução na qualidade do teste", disse.

A incorporação do PET no SUS não será imediata. O governo terá até 180 dias para regular como e quando isso será feito. De acordo com Inez, o exame está disponível em 21 Estados do País. Ramos informou haver no País cem centros que oferecem o exame tanto para pacientes particulares quanto para usuários de planos de saúde.

Estrutura. Na avaliação do médico, a infraestrutura existente é suficiente para atender à demanda do sistema público. "Há muitos centros com capacidade ociosa. Além disso, o exame é indicado para um grupo específico", afirma.

A produção de radiofármacos usados para fazer o exame, segundo o médico, também é capaz de atender ao aumento da demanda. Atualmente, existem em todo o País 11 centros produtores, quatro deles do governo federal.

Ramos explica que o exame PET-Scan é usado tanto para identificar a presença de tumores quanto para encontrar novos focos da doença e avaliar a resposta que o paciente apresenta à terapia. "Uma ferramenta essencial para definir, por exemplo, a melhor indicação de tratamento." O exame é feito a partir do uso de um marcador. "A medicina nuclear se destaca pela capacidade de enxergar qualquer substância no organismo que se liga à radiação pósitron: enzima, aminoácido ou hormônio", contou.

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