Combate ao Aedes tem apoio do Exército em Pernambuco

Militares fazem visitas domiciliares para aplicar larvicida e esclarecer a população sobre os perigos do mosquito

MONICA BERNARDES E Antônio Carlos Garcia, Especiais para O Estado

08 Dezembro 2015 | 16h07

Atualizada às 23h19

Em Pernambuco, o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti - transmissor da dengue, zika e chikungunya - conta, desde a última sexta-feira com o reforço de 200 militares do Exército. Nesta terça-feira, 8, apesar do feriado na capital, em comemoração ao dia de Nossa Senhora da Conceição, as atividades não foram paralisadas. 

As ações - visitas domiciliares para aplicar larvicida e esclarecer a população sobre os perigos do Aedes aegypti - aconteceram em toda Região Metropolitana do Recife, com ênfase na capital. 

Em Olinda, soldados do 7º Grupo de Artilharia de Campanha percorreram diversos bairros da periferia da cidade, na companhia de agentes de saúde. Os grupos fizeram vistoria em imóveis, eliminando focos e informando a população sobre como combater o mosquito. No bairro dos Bultrins, a dona de casa Eleuda Santos, de 67 anos, fez questão de abrir as portas e pedir mais informações sobre o combate ao Aedes aegypti

"Minha neta está grávida e estamos todos muito preocupados com o avanço desta doença que pode afetar os bebês. Quero saber tudo para poder ajudar a acabar com esta praga", destacou ao se referir à epidemia de microcefalia que atinge o Estado de Pernambuco, onde 804 casos suspeitos estão sob investigação. 

Até o final do mês, outros 550 militares das forças armadas serão capacitados para atuar no combate ao mosquito. A parceria com a Secretaria Estadual de Saúde vai se estender de três a seis meses. No último sábado, a presidente Dilma Rousseff participou, no Recife, de uma reunião para definir a estratégia de apoio dos militares no combate ao mosquito.

 

O trabalho de formação e coordenação dos militares está sob a responsabilidade do general Antônio Eudes Lima da Silva, comandante da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada. Segundo o militar, o trabalho vem recebendo o apoio da população da Região Metropolitana do Recife.  Ainda de acordo com o secretário de Saúde de Pernambuco, José Iran Costa, além dos 14 municípios da região metropolitana, outras 19 cidades pernambucanas receberão o reforço das equipes das Forças Armadas.  

Entre as cidades que serão atendidas estão: Pedra, Jataúba, Arcoverde, Taquaritinga do Norte, Iati, Inajá, Vertentes, Iguaraci, João Alfredo, Lagoa de Itaenga, Tabira, Passira, Goiana, Ibimirim, Brejo Madre de Deus, Custódia, Venturosa, Surubim, Itaquatinga.

Sergipe. A partir da quinta-feira, 10, 100 militares do 28º Batalhão de Caçadores, visitarão residências na capital do Sergipe, com agentes de endemias, para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. Nesta quarta-feira, o grupo passará por um treinamento. 

Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) indicam que, até o momento, foram notificados 100 casos de bebês nascidos com microcefalia, com uma morte, provocados pelo zika. 

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da SES, Giselda Melo, disse que a infestação do mosquito está em todos os 75 municípios sergipanos, mas os casos de bebês com microcefalia só foram detectados em 36. Já o secretário estadual de Saúde, José Sobral, não descarta a possibilidade de existir outros casos. Por isso, pediu às secretarias municipais de saúde que façam o Levantamento de Índice Rápido (LIRA) e notifiquem os casos de dengue, zika e chikungunya.

Os médicos em Sergipe também estão investigando a possível ligação da zika com outra doença rara, a Síndrome de Guillain-Barré, que atinge o sistema nervoso. Segundo a SES, na última atualização ocorrida em 1º de dezembro, 28 casos de pacientes com essa doença em Sergipe foram detectados. O número é expressivo, porque, segundo a SES, nenhum caso dessa doença havia sido registrado nos últimos anos.

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