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EFE

Zika faz companhias dos EUA oferecerem troca de voos a grávidas

American Airlines permite até o reembolso para turistas com passagens para países latino-americanos; Áustria confirma 1º caso

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O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2016 | 10h38

Atualizado às 16h28

SAN JUAN - Companhias aéreas dos Estados Unidos ofereceram troca de voos e algumas até o reembolso de passagens às mulheres grávidas que tinham previsto viajar para países do Caribe e da América Latina afetados pelo zika vírus, que pode estar vinculado ao nascimento de crianças com microcefalia. Aéreas brasileiras e de outros locais já haviam anunciado a possibilidade de troca e cancelamento de bilhetes para gestantes com esses destinos.

O Departamento de Comunicações da American Airlines disse nesta quarta-feira, 27, que sua política, "implementada desde segunda-feira, permitirá que as clientes recebam reembolso se for fornecida uma notificação médica de que não podem viajar para um destes países por gravidez".

A lista de lugares que a empresa aérea inclui em seu alerta são: Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Porto Rico e Venezuela.

Além disso, a maior companhia aérea do mundo garantiu que seguirá "observando a situação e serão feitas mudanças em nossa política atual caso seja necessário".

Em comunicado, as empresas do Grupo Latam (TAM e LAN) informaram que estão oferecendo alternativas para passageiras com viagens internacionais para os seguintes países: Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Suriname e Venezuela.

Passageiras grávidas com viagem já iniciada para os destinos citados poderão adiantar o retorno sem cobranças adicionais, de acordo com a disponibilidade de assentos, explicou a Latam. Já aquelas que ainda não iniciaram viagem a esses locais têm a opção de alterar o destino do voo (sujeito ao pagamento de possíveis diferenças de tarifas) ou solicitar o reembolso do bilhete.

Para usufruir do benefício, a empresa pede que a passageira apresente declaração médica citando as semanas de gestação. As mesmas facilidades serão concedidas aos acompanhantes que estejam viajando com a passageira grávida no mesmo voo, informou a Latam.

As decisões foram divulgadas um dia depois que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) emitiu um alerta de viagem. O alerta pede aos viajantes, especialmente às mulheres grávidas, "que tomem precauções reforçadas" se viajarem aos países afetados pelo vírus.

No caso da United Airlines, segundo o "USA Today", a política de reembolso ou trocas de itinerário incluem Barbados, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, a Guiana Francesa, Guadalupe, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Martinica, México, Paraguai, Panamá, Porto Rico, San Martín, Suriname e Venezuela.

Um porta-voz da Organização Caribenha de Turismo garantiu que "estão sendo observadas as medidas tomadas pelas companhias aéreas americanas com atenção" e reconheceu que "possivelmente terão repercussões negativas para a economia e o turismo" na região.

A infecção pelo vírus do zika tem como causa a picada de mosquitos infectados do gênero Aedes aegypti (também responsável pela dengue e a chikungunya), e costuma gerar febre leve, manchas na pele, conjuntivites e dores musculares.

Até o momento não existe nenhuma vacina para prevenir o contágio, nem remédios específicos para tratar a doença, que em quatro de cada cinco casos não apresenta sintomas, de acordo com os CDC.

Embora as consequências do zika não costumam ser graves, a doença foi ligada ao nascimento de crianças com microcefalia, no entanto, por enquanto não há nada comprovado.

As precauções tomadas pelas companhias aéreas com relação ao zika vírus não foram tomadas com a recente aparição da chikungunya na região e nem com a dengue, ambas transmitidas pelo mesmo mosquito. 

Áustria. A Áustria detectou o primeiro caso de contágio do zika vírus em uma turista que retornou de férias no Brasil, informou nesta quinta-feira, 28, a rádio pública ORF.

Os médicos do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de Viena apontaram que a paciente não está grávida, portanto não existe nenhum perigo, e que é previsível que sejam detectados mais casos entre pessoas que tenham viajado à América Latina.

"Quatro de cada cinco pacientes nem se darão conta" que têm o vírus, indicou o médico Herwig Kollaritsch, o que não terá "nenhuma importância a menos que a pessoa esteja grávida".

Além disso, o clima da Áustria é tão frio que não há risco de proliferação do mosquito que transmitem o vírus.

O risco existe para as mulheres grávidas ou para as que tentam engravidar, por isso, o especialista pede precaução nas viagens para países latino-americanos, onde há registros da maioria dos casos.

O zika afeta 22 países do continente americano e obrigou os governos da região a tomar medidas extremas, como o Brasil e República Dominicana, que desdobraram forças militares para conter o Aedes aegypti. /EFE

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