Conheça as medidas anunciadas pelo mundo contra a gripe suína

Maioria dos países segue OMS e não restringe viagens, mas UE faz recomendação forte contra visitas ao México

da Redação, com agências internacionais

28 Abril 2009 | 09h36

Países se adiantam à OMS e recomendam adiamento de viagens
SÃO PAULO - Tentando conter o rápido avanço da gripe suína, diversos países anunciaram alertas contra viagens para áreas afetadas pela doença. Estados Unidos, União Europeia, Alemanha Venezuela, Colômbia, Cuba, Chile, Hong Kong e Coreia do Sul estão entre os que emitiram alertas para que sua população evite viagens desnecessárias ao México. A Organização Mundial da Saúde, no entanto, ainda não está recomendando restrições às viagens. Apesar disso, muitos países anunciam medidas para tentar evitar que a doença se espalhe.

 

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Brasil - O governo brasileiro não anunciou medidas restritivas à entrada de pessoas vindas do México, principal foco da gripe aviária. No entanto, o Ministério da Saúde recomenda que viajantes que estiveram em países onde há casos da doença tomem alguns cuidados. Quem apresentar febre alta, superior a 38ºC, com tosse e dores de cabeça, musculares ou nas articulações deve procurar ajuda hospitalar e informar o médico sobre o roteiro de viagem. Todos os voos que chegam ou partem para áreas de risco serão obrigados a informar os passageiros sobre o vírus da gripe suína.

 

Apesar das recomendações para quem esteve em países onde casos da doença foram confirmados, o Ministério da Saúde não orientou sobre o cancelamento de viagens, quando possível. Para quem vai até áreas afetadas pela gripe suína, a orientação é usar máscaras de proteção descartáveis; cobrir o nariz e a boca com um lenço ao tossir ou espirrar; evitar locais com aglomeração de pessoas e o contato direto com pessoas doentes. Além disso, a orientação é para não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal; evitar tocar partes do corpo onde há secreções. Os cuidados com higiene devem ser rigorosos.

 

Caso o viajante apresente sinais da doença, a orientação é procurar assistência médica. O Ministério da Saúde também recomenda que os pacientes não usem medicamentos sem orientação.

 

União Europeia - O Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças recomendou, nesta terça-feira, 28, que os cidadãos do bloco restrinjam viagens ao México às que forem "inevitáveis e urgentes".

 

"Pessoalmente, eu tentaria evitar viagens não-essenciais a áreas apontadas como no centro (da epidemia)", já havia dito a comissária (ministra) de Saúde da União Europeia, Androulla Vassiliou. "Deveriam evitar viagens ao México ou aos Estados Unidos a não ser que seja muito urgente para eles."

 

Estados Unidos - o Departamento de Estado norte-americano lançou um alerta no dia 27 de abril, conclamando os cidadãos do país a evitarem todas as viagens "não essenciais" ao México devido ao surto de gripe suína, disse uma autoridade dos EUA. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as autoridades do país estão monitorando de perto os casos da doença, mas afirmou que não há razão para alarme até o momento. No dia 29, o governo afirmou que considera restringira as viagens ao país vizinho e desinfetar os aeroportos para tentar combater o vírus H1N1.

 

"Isto é obviamente uma causa de preocupação e requer um estado de alerta elevado. Mas não é uma causa de alarme", disse Obama em um encontro na Academia Nacional de Ciências.

 

Canadá - o país alerta para que viagens não essenciais ao México sejam adiadas. O país tem 6 casos suspeitos da gripe suína. Os canadenses que voltaram ao país procedentes do México estão sendo orientados a usar máscaras de proteção. Por ano, cerca de 1 milhão de canadenses visitam o México.

 

Reino Unido - o governo britânico recomendou que a população evite viagens ao México. Com isso, algumas agências de turismo cancelaram voos entre o Reino Unido e o México. Além disso, turistas que estão no país devem ser levados de volta ao continente britânico. A decisão foi tomada após o nível de alerta da doença ter subido de 3 para 4.

 

Portugal - as autoridades portuguesas reforçaram as medidas para detectar a doença. Os principais hospitais do país receberam doses extra do antiviral Tamiflu. Além das duas medidas, o governo estabeleceu que em cada um dos voos vindos do México um médico vai entrar no avião antes do desembarque dos passageiros para explicar quais os sintomas da doença e o que as pessoas devem fazer a qualquer sintoma da gripe suína.

 

Ásia - Países asiáticos, lembrando do surto da gripe aviária de poucos anos atrás, agiram com rapidez. Cingapura, Hong Kong e Coreia do Sul emitiram alertas para seus cidadãos evitarem viagens para algumas partes do México.

 

No Japão, o governo suspenderá de forma temporária o sistema de isenção de visto para os mexicanos que desejem viajar ao país. Além disso, Tóquio pediu aos japoneses que vivem no México que considerem a possibilidade de deixar o país. Em comunicado, o Ministério de Exteriores do Japão pediu ainda que os japoneses adiem suas viagens ao México "se não forem realmente urgentes".

 

Além disso, o Japão suspenderá temporariamente o sistema pelo qual não exige visto aos mexicanos, com o objetivo de aumentar as medidas de controle da propagação da gripe suína. Até agora, os mexicanos podiam viajar ao Japão sem visto para visitas turísticas e de negócios que não excedesse seis meses de permanência.

 

América Latina - no continente a repercussão não foi menor. Venezuela, Colômbia, Chile e Cuba emitiram alertas. O anúncio cubano não esclarece se haverá redução dos voos ou uma simples manutenção do atual nível.

 

Segundo comunicado liberado nesta segunda-feira, 27, "a OMS não recomenda qualquer tipo de restrição às viagens comuns ou de fechamento de fronteira. É considerado prudente que as pessoas que estejam doentes adiem suas viagens internacionais e que as pessoas que tenham desenvolvido os sintomas [da gripe suína] após viajar procurem acompanhamento médico."

 

"Também não há risco de contaminação pelo consumo de carne de porco ou outros produtos derivados. Indivíduos devem lavar as mãos com frequência com sabão e água."

 

Argentina - o governo avalia ampliar as medidas de controle sanitário para tentar evitar a chegada do vírus da gripe suína ao país. Neste sentido, os voos entre a Argentina e o México podem ser suspensos até segunda ordem, conforme indicaram fontes do Ministério de Saúde à imprensa. A ministra de Saúde, Graciela Ocaña, realizou uma reunião de emergência com o comitê sanitário que cuida do caso, na qual a proposta foi discutida. A Casa Rosada deve anunciar a medida nesta terça, caso a presidente Cristina Kirchner esteja de acordo.

  

Junto com a suspensão dos voos, o governo faria uma campanha também para desaconselhar os argentinos a viajarem ao México em outros voos triangulados. No aeroporto internacional de Ezeiza, as informações são de que 15% das passagens com destino ao México já foram canceladas pelos próprios passageiros. Uma nota oficial da Saúde, divulgada também à noite, afirma que no país ainda "não há nenhum caso confirmado". Porém, reconhece que as autoridades sanitárias observam um homem que regressou do México no último domingo "com escassa possibilidade de ser portador da doença".

 

Egito - o governo do país ordenou que o rebanho de 300 mil porcos seja abatido para tentar evitar a doença.

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