REPRODUÇÃO/UNICAMP
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Conselho recomenda redução de remédios a crianças com problema de aprendizagem

Pesquisa aponta aumento de 775% no consumo de metilfenidato, a Ritalina; remédio é usado no tratamento de hiperatividade

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2015 | 19h01

BRASÍLIA - O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) publicou resolução, nesta sexta-feira, 18, em que recomenda o fim da prescrição excessiva de medicamentos para crianças e adolescentes que enfrentam problemas de aprendizagem, comportamento ou disciplina. 

A decisão se deu após a análise de pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que apontou aumento, no Brasil, de 775% no consumo de metilfenidato (Ritalina), entre 2003 e 2012.

O documento estabelece que os jovens tenham o direito de acesso a outras alternativas, que não o uso de medicamento. 

O alerta é de que a indicação do metilfenidato pode ser o caminho "mais fácil", mas nem sempre o que está em questão é um problema de saúde. "É preciso ter a análise de uma equipe multidisciplinar para de fato ter um diagnóstico preciso de que não se trata de um problema social, cultural, de adaptação ou integração", afirma o presidente do Conanda, Rodrigo Torres.

Há também uma preocupação com o fato de, com a banalização do remédio, pessoas saudáveis buscarem se automedicar para, simplesmente, aumentarem o rendimento em alguma tarefa intelectual, como a produtividade no trabalho ou o tempo de estudos para um concurso.

O metilfenidato é utilizado no tratamento de crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O Instituto de Medicina Social da Uerj mostra que o País só "perde" para os Estados Unidos, sendo o segundo mercado mundial no consumo do fármaco - só em 2010, foram 2 milhões de caixas vendidas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2013 esse número aumentou para 2,6 milhões. 

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