Contra gripe, Egito mata porcos e Equador entra em exceção

Países correm para tomar medidas antes que os cientistas determinem o que será realmente útil

AP e EFE,

29 Abril 2009 | 19h14

Do Egito ordenando a morte de todos os 300 mil porcos do país à proibição dos beijos, diversos países do mundo estão tomando medidas drásticas - e algumas, questionáveis - para combater a gripe suína.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde 

 

O Egito ordenou a matança dos porcos, mesmo não havendo um único caso da doença no país, e nenhuma evidência de que os porcos tenham espalhado a doença. O Reino Unido está tentendo comprar 32 milhões de máscaras e o presidente dos EUA, Barack Obama, fala em fechar escolas.

 

Na América Latina, o presidente do Equador, Rafael Correa, decretou "estado de exceção em todo território nacional devido à rápida transmissão do vírus da influenza suína", informou o governo. 

 

"Também foi decretada a mobilização nacional, econômica, militar, policial e especialmente de todo o sistema nacional de saúde, suas redes de saúde pública e privada, em todas suas áreas, unidades, serviços, laboratórios e de pessoal médico e paramédico", acrescenta o comunicado oficial. O decreto estabelece que o estado de exceção dure 60 dias.

 

Em aeroportos do Japão à Coreia do Sul, da Grécia á Turquia, câmeras de infravermelho observam passageiros para detectar sinais de febre. No Líbano, as autoridades estão desestimulando o tradicional cumprimento feito com beijos nas bochechas, mesmo sem que nenhuma suspeita do vírus tenha surgido lá.

 

Eficiência das medidas

 

Todas essas medidas, e mais, estão sendo tomadas, mesmo com especialistas advertindo que elas poderão não deter a doença. "Cientificamente falando, o principal é que cada vírus tem um comportamento diferente", disse o presidente do Instituto Robert Koch, principal instituição de saúde pública da Alemanha,  Joerg Hacker. "No momento, o importante é conhecer esse vírus, saber como ele trabalha".

 

Na Alemanha, onde as autoridades confirmaram três casos, a Lufthansa anunciou que colocará um médico a bordo de cada voo destinado ao México.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a proibição de viagens ao México, como a imposta pela Argentina, é questionável, porque o vírus já está bem disseminado.

 

A ministra da Saúde da França, Roselyne Bachelot, disse que nesta quinta-feira, 30, pedirá à União Europeia a suspensão de todos os voos para o México.

 

A proibição de viagens foi útil durante a epidemia de Sars de 2003, mas porque a doença só podia ser transmitida por pessoas que já apresentassem sintomas. Com a gripe, em contraste, o período de incubação pode ser longo, o que significa que uma pessoa pode estar contagiosa antes de mostrar sintomas. Ainda não há informação, dizem especialistas, para definir qual o período de incubação do vírus da gripe suína.

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