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Grupo quer que papa reveja veto a aborto

Com medo da expansão do zika, ativistas católicos dos EUA fizeram apelo ao Vaticano; especialistas consideram mudança improvável

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Edison Veiga,
O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2016 | 11h46

Um grupo liberal católico pede que o papa Francisco autorize integrantes da Igreja a “seguir a própria consciência” no uso de métodos contraceptivos ou até mesmo que mulheres possam abortar diante da epidemia do zika vírus – ligado a casos de microcefalia. Com sede em Washington, o Catholics for Choice fez o apelo nas vésperas da visita do papa a Cuba e México – a América Latina é o epicentro da infestação.

O arcebispo de Brasília, d. Sérgio da Rocha, atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), já afirmou que o aborto “não é a resposta” ao problema. O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer, também foi enfático. “A pressão pela legalização do aborto de seres humanos com deficiência é contrária à misericórdia: quer resolver o sofrimento e o desconforto, suprimindo o ser humano que, sem culpa sua, possa ser o motivo do desconforto”, afirmou ele, que na semana passada chegou a reconhecer que no caso de métodos contraceptivos, a situação “é bem diferente” e que os casais “sabem muito bem como prevenir uma gravidez indesejada”. Na opinião de especialistas, é impossível que a Igreja abra qualquer exceção em relação à sua doutrina. Mas é preciso separar muito bem as duas questões: dos métodos contraceptivos e do aborto. 

“Para evitar uma gravidez indesejada, a Igreja segue defendendo o método natural. Que, se bem feito, é perfeitamente eficiente”, afirma o biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Quanto ao aborto, a argumentação é mais complexa. “A Igreja vê uma exploração abusiva e ideológica do problema. E isso cria um clima de pânico que pode levar as pessoas a aceitar comportamentos que normalmente feririam sua concepção de mundo”, avalia Ribeiro Neto. 

Em São Paulo, o movimento Católicas Pelo Direito de Decidir diz que foca sua pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) “porque vivemos em um Estado laico em que as normas não podem ser ditadas pela Igreja”. “É um absurdo a Igreja ainda condenar que os fiéis façam uso de métodos contraceptivos”, diz a coordenadora executiva do movimento, Rosângela Talib. “É irreal. Todos sabem que a maioria dos católicos se protege, independentemente do que a Igreja pensa ou deixa de pensar sobre o assunto.” /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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