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Coração e sexo

Jairo Bouer

Uma pesquisa realizada no Reino Unido, publicada por quase todos os grandes jornais ingleses na última semana, mostrou que quase 20% da população pode deixar de fazer sexo depois de enfrentar um problema cardíaco e que um terço das pessoas diminui a frequência da sua atividade sexual como resultado da condição do seu coração.

O estudo foi realizado pela Fundação Britânica do Coração com mais de 1.500 pessoas. O temor pode estar impactando a vida sexual de mais de um milhão de britânicos. Além deles, outros 20% têm muito medo de enfrentar um enfarte ao fazer sexo.

O sexo é considerado, pela maior parte dos especialistas, como uma atividade física leve ou moderada. Em geral, apenas pacientes em fase aguda de recuperação de um problema no coração ou de uma cirurgia cardíaca são orientados por seus médicos a evitarem, temporariamente, essa prática. Com o tempo, o esperado é que as pessoas retomem sua vida sexual normal, a não ser em caso de condições clínicas mais severas.

Alguns trabalhos, como o da Universidade de Maryland, nos EUA, de janeiro de 2014, sugere que a vida sexual regular nas pessoas mais velhas poderia ser, inclusive, um fator de proteção para a atividade cerebral, estimulando a produção de mais neurônios e a melhora da memória de longa prazo. 

A dificuldade de retomar a vida sexual depois de um problema cardíaco pode revelar uma falta de diálogo dos pacientes com seus médicos sobre esse tema. Além do medo, muitas das medicações utilizadas por pacientes com problemas do coração podem afetar o desempenho sexual. Na pesquisa, quase 50% dos homens revelaram dificuldades de ereção depois do uso de remédios. Mas até esse tipo de situação poderia ser contornada hoje com o arsenal de recursos terapêuticos disponíveis. 

Ainda segundo o trabalho, 14% disseram que foram os impactos emocionais depois do problema cardíaco que os afastaram do sexo. Outros 8% tinham receio de estar menos atraentes para as parceiras ou parceiros depois de uma cirurgia cardíaca. Claramente, existe um vácuo entre as necessidades emocionais de muitos desses pacientes e o suporte dos serviços de saúde (mais informação por parte dos médicos, apoio psicológico, abordagem familiar, entre outros).

Já que o assunto hoje é sexo e coração, há duas semanas, essa coluna trouxe a informação que fabricantes de medicamentos que facilitam a ereção planejam solicitar às agencias reguladoras dos EUA, Canadá, Austrália e Europa que essa classe de remédios possa ser vendida sem receita médica, dado seu baixo perfil de riscos. Entretanto, no caso de pessoas com problemas cardíacos prévios e, entre aquelas que já fazem uso de outros remédios para o coração ou para controle da pressão arterial, é fundamental uma avaliação médica prévia. 

Ainda no campo dos facilitadores de ereção, uma novidade acaba de chegar ao consumidor inglês. É uma nova pomada, aplicada na ponta do pênis, que é rapidamente absorvida através da pele e promete uma ereção em menos de 30 minutos. O alprostadil é da mesma família das substâncias que compõem os medicamentos tomados por via oral. O mercado inglês é o primeiro no mundo a dispor desse produto, aprovado pela agência reguladora do país e vendido em dose única, apenas com receita médica. 

A maior vantagem do novo creme seria a redução dos efeitos colaterais (dor de cabeça, tontura, turvação visual) e, possivelmente, um maior número de homens com problemas cardíacos que poderiam fazer uso dessa nova via de aplicação. Uma pesquisa recente feita no Reino Unido com 250 homens com disfunção erétil mostra que 35% têm efeitos colaterais com o uso dos facilitadores de ereção, mas mesmo assim, quase 70% deles continuam a tomar os remédios. 

O alprostadil já era comercializado em outras formas de aplicação como injeções no pênis ou pequenas cápsulas inseridas na uretra. Bom lembrar que homens mais velhos que passam a apresentar problemas de ereção devem sempre consultar um médico antes de tomar remédios. A dificuldade pode ser um sinal de que o coração, também, precisa de uma avaliação mais cuidadosa.

JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

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