Corpo de menina que morreu em voo é enterrado em São Paulo

IML vai investigar se pneumonia que provocou a morte foi causada pelo vírus da gripe suína

03 Agosto 2009 | 10h37

 

Família da jovem acompanha a cerimônia no cemitério das Lágrimas. Foto: Hélvio Romero/AE

 

O corpo da adolescente Jacqueline Ruas, de 15 anos, foi enterrado na manhã desta segunda-feira, 3, em São Caetano do Sul. Os pais da menina acompanharam a cerimônia e a mãe de Jacqueline passou mal, precisando ser socorrida. Uma pneumonia é apontada como causa da morte da menina, que teve uma parada cardiorespiratória antes do voo vindo de Miami chegar a São Paulo. No entanto, exames vão investigar se a infecção foi causada pelo vírus da gripe suína.

 

A estudante estava no voo 759 da Copa Airlines, que voltava dos Estados Unidos. O Instituto Médico Legal (IML) vai investigar se a infecção da garota está relacionada com a gripe suína. Na bagagem de Jacqueline havia uma caixa do remédio Tamiflu, usado no tratamento da doença.

 

A jovem havia viajado em uma excursão de 12 dias para a Disney com outras 30 pessoas. O avião em que estava fez uma conexão no Panamá e chegou ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, às 5h44. Ela já estava morta. Um dos médicos que atenderam a garota diz que foi chamado por comissários por volta das 4h30. Ao socorrê-la, ela tinha parada cardiorrespiratória há mais de meia hora.

 

Em depoimento à polícia, funcionários da companhia de turismo responsáveis pela viagem afirmaram que dois exames nos Estados Unidos - onde ela foi atendida por um médico do hotel onde estava hospedada e, dois dias depois, examinada no hospital - teriam descartado a contaminação pelo vírus A(H1N1).

 

O atestado de óbito do Instituto Médico Legal de Guarulhos aponta que a menina morreu de choque séptico e uma broncopneumonia - o que não descarta ou confirma contaminação pelo A(H1N1). O laudo necrológico que ajudará a esclarecer a morte deverá ficar pronto em 30 dias.

 

"Ela teve gripe e mal estar em Orlando. Fez o teste e deu negativo. Foi liberada para viajar", diz Filipe Fortunato, diretor da agência Tia Augusta, organizadora da excursão na qual estava Jacqueline. Segundo ele, o hospital deve enviar a ficha médica dela até a terça-feira, 4. O delegado Cristian Lanfredi afirma que não foi encontrada nenhuma guia médica ou exame com a garota.

 

Além do Tamiflu, a bagagem de Jacqueline tinha azitromicina (antibiótico), Eno (sal de frutas), os analgésicos e antitérmicos Motrin e Tylenol e os xaropes para tosse Wal-Tussin e Hydromet. "Ela nunca foi de tomar remédio. A família só sabia que ela estava tomando Tamiflu para prevenção, conforme o hospital americano pediu", conta a tia da adolescente Magda da Paz Santos, de 39 anos.

 

Na quarta-feira, a garota foi internada no Hospital Celebration, em Orlando, e liberada seis horas depois - o hospital não se manifestou ontem. No mesmo dia, ela telefonou aos pais, contou o fato e relatou que não passava bem, estava com febre, dor de cabeça e dores no corpo, segundo Magda. "No sábado ela nos ligou e estava um pouco abalada pois tinha acabado de vomitar. Pensamos até que fosse ?manha? de 15 anos."

 

O voo saiu dos Estados Unidos às 14h30 (hora local) de sábado e fez escala no Panamá. Na madrugada de ontem, dois médicos que estavam no voo foram acionados para atender a passageira. A Copa diz que os profissionais "aplicaram na passageira os primeiros socorros." A Secretaria de Segurança Pública informou que Jacqueline morreu às 5h43, pouco antes de o avião pousar em Guarulhos. Os pais foram avisados no aeroporto. "A gente já sabia que o voo iria chegar nesse horário. Por isso, estávamos lá. Quando ela chegou, recebemos a notícia", diz a tia.

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