Cresce a procura pelo Tamiflu em farmácias paraguaias

No Brasil, remédio desapareceu das farmácias e somente é encontrado no serviço público de saúde

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

31 Julho 2009 | 16h49

Farmácias de Ciudad del Este, na divisa do Paraguai com o Brasil, vendem o Tamiflu, medicamento recomendado no combate à Influenza A (H1N1), conhecida como gripe suína, sem qualquer exigência de receita médica, e já observam um aumento na procura. No Brasil, o remédio praticamente desapareceu das farmácias e somente é encontrado no serviço público de saúde, limitado a pacientes do grupo de risco. Mesmo o antiviral que tem o princípio ativo de fostato de oseltamivir (o mesmo do Tamiflu), já produzido pela Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, tem destinação orientada.

 

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A constatação da venda do medicamento de forma livre no Paraguai foi feita quarta-feira, 29, pelo jornal Gazeta do Povo, um dos principais do Paraná. A reportagem observou que a caixa estava custando R$ 98,00, mas com a previsão de subir para R$ 134,00 na próxima semana, devido ao súbito aumento na procura. Segundo o jornal, também é possível encontrar versões genéricas do Tamiflu, fabricadas no Paraguai com os nomes de Biosid, Oselta e Laporcina.

 

A Receita Federal em Foz informou não ter feito nenhuma apreensão desses medicamentos. A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília, disse que não pode impedir a entrada de medicamento vindo do exterior, caso a pessoa possua receita médica, embora não se responsabilize pela qualidade do produto. No entanto, a pessoa pode perder os medicamentos e responder por contrabando caso o fiscal considere que a quantidade ultrapassa um volume razoável para uso próprio.

 

Nesta sexta-feira, 31, chegou ao Paraná a primeira remessa do medicamento fabricado pela Farmaguinhos. A Secretaria Estadual da Saúde preferiu não divulgar o volume, destacando apenas que a distribuição será feita por meio das 22 regionais de saúde espalhadas pelo Estado, com prioridade para os locais onde há mais casos confirmados da doença. As receitas médicas para o oseltamivir serão analisadas nas regionais e, caso o paciente enquadre-se no padrão estabelecido pelo Ministério da Saúde, ele será liberado.

 

O Sindicato dos Lojistas do Comércio Estabelecido em Shopping Center de Curitiba (Sindishopping) decidiu, em reunião na manhã desta sexta-feira, 31, que reforçará o trabalho de higienização em banheiros, elevadores, corrimões e outros locais com mais afluência de pessoas. "Vamos cumprir com mais rigor o protocolo", disse o presidente da entidade, Érico Morbis. Segundo ele, dentro do cenário atual da disseminação da doença, está "fora de cogitação" a possibilidade de fechamento dos 13 shoppings da cidade.

 

Em Cornélio Procópio, no norte do Paraná, o prefeito Amin José Hannouche baixou um decreto suspendendo, até nova ordem, todas as atividades sociais, culturais, esportivas, artísticas e outras que forem realizadas em recintos fechados. O presidente do Conselho de Pastoral Paroquial da Diocese de Cornélio Procópio, padre Orisvaldo José Calandro, disse que a entidade decidiu recomendar que as missas sejam celebradas em, no máximo, 30 minutos, neste fim de semana, e que, a partir de segunda-feira, todas as celebrações e reuniões sejam suspensas até o dia 10 de agosto.

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