Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Crescimento da população de idosos abre debate sobre moradias do futuro

Fórum sobre moradia para idosos promovido pelo 'Estadão' discutiu qualidade de vida da terceira idade

Roberta Cardoso, especial para o Estado

14 Novembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A humanidade vem superando obstáculos e evoluiu para uma vida mais saudável e longeva. Esse aumento da expectativa de vida está forçando a quebra de paradigmas. O primeiro deles, pilar para a construção dessa sociedade mais inclusiva, é o de moradia. Os idosos do mundo todo querem independência da família para tomar a decisão de morarem sozinhos ou em grupos. 

+++ Grupo quer criar lar coletivo em SP para idosos envelhecerem juntos

As implicações sociais, estruturais e econômicas de uma sociedade mais sênior pautaram a primeira edição do Fórum de Moradia para Longevidade, evento organizado pelo Estado em parceria com o Sindicato da Habitação (Secovi) e a Aging Free Fair, feira sobre o mercado para a terceira idade. 

+++ 'Uma cidade boa para idosos é uma cidade para todos', diz especialista

Todos os gargalos e possíveis soluções para a criação de modelos de moradias que atendam as necessidades do idoso foram largamente discutidos por especialistas e profissionais, da esfera público e privada, num encontro que reuniu centenas de pessoas em São Paulo.

+++ 'Estadão' promove debate e mesas redondas sobre moradia para o segmento sênior

A importância do debate sobre habitação para a terceira idade tem respaldo da ONU. Em 2050, segundo projeções da organização, o número global de idosos chegará a 2 bilhões de pessoas, o que representará 22% dos indivíduos - marca que vai superar o número total de menores de 15 anos. 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
O País precisa de uma política nacional de habitação para idosos. Não podemos ignorar que a população acima dos 60 anos está crescendo.
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Ricardo Coutinho, governador da Paraíba

O Brasil não escapa desse cenário. A população madura do País representava 22,3 milhões de pessoas quando a última pesquisa IBGE sobre o tema foi publicada, em 2011. 

As projeções e estatísticas endossam a necessidade ampliar as discussões , os debates e as ações relativas a inclusão dos futuros idosos em um planeta cada vez mais populoso, sem tempo e tecnológico.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Tem namoro, tem fofoca, tem senhoras competindo para saber quem está mais elegante, mas isso é vida, é melhor do que ficar em casa com a cuidadora.
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Ricardo Soares, da Brazil Senior Living

Nos anos 70, as 10 maiores cidades do mundo somavam 114 milhões de pessoas. Em 2025, abrigarão 234 milhões. Até lá, segundo um estudo da consultoria McKinsey, mais de 130 centros urbanos vão se tornar megacidades (aquelas com mais de 10 milhões de habitantes). O envelhecimento da população e a expansão das megalópoles está multiplicando os problemas da sociedade. Por outro lado, esse contingente sênior, concentrado em grande maioria em centros urbanos, tem muito a contribuir. 

 

Os habitantes também parecem ser uma fonte de ideias inovadoras para melhorar a qualidade de vida. A paisagem urbana, assim como a forma que a sociedade lida com a velhice, tende a mudar. Alternativas sustentáveise inclusivas, já são realidade, inclusive no Brasil.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Quem não tiver estratégia para o seu envelhecimento vai fazer parte da estratégia de alguém.
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Sérgio Mühlen, professor da Universidade de Campinas e membro da Associação da Vila Conviver

Encontrou algum erro? Entre em contato

Desafios do mercado grisalho no País

Locação social, casa compartilhada, condomínio de luxo e assistência médica em tempo integral são tendência para habitações de idosos

Roberta Cardoso, especial para o Estado

14 Novembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - No Brasil, o primeiro passo para discutir e debater a qualidade de vida dos idosos foi dado. O Fórum de Moradia para a Longevidade, uma iniciativa do Estado em parceria com o Sindicato da Habitação (Secovi) e a Aging Free Fair, feira sobre o mercado para sêniors, reuniu em São Paulo os principais agentes que estão atuando nessa transformação que deve, nos próximos anos, mudar a paisagem urbana e também a forma de se relacionar com os mais velhos.

+++ Grupo quer criar lar coletivo em SP para idosos envelhecerem juntos

“Foi um verdadeiro marco para o que esperamos ser um novo nicho de mercado. Os modelos de empreendimento estão se profissionalizando nos últimos cinco anos. Mas até então, no Brasil, não houve uma reunião dos especialistas para debater os problemas, as soluções e as evoluções. Precisamos nos organizar. Os órgãos públicos não sabem como interpretar esse tipo de empreendimento. Eles não sabem se eles residenciais, hotéis, ou hospitais”, diz Caio Calfat Jacob, vice-presidente do Secovi-SP.

+++ 'Uma cidade boa para idosos é uma cidade para todos', diz especialista

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Nos Estados Unidos o cohousing ganhou força depois da crise de 2008. Paramos de pensar no ‘eu quero’ e focamos no ‘eu preciso’
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Laura Fitch, especialista em cohousing

Novo mercado

As tendências para esse segmento foram abordadas por um time misto de palestrantes, que incluiu a esfera público e privada no debate. O segmento de moradia para sêniors pode ter várias vertentes, como explicou Edgar Werblowsky, criador da Aging Free Fair, durante a palestra que mostrou o avanço de algumas modalidades de habitação para a terceira idade já em funcionamento em países da Europa e também nos Estados Unidos.

+++ 'Estadão' promove debate e mesas redondas sobre moradia para o segmento sênior

As tendência que se apresenta como alternativa viável para atender a demanda latente dos mais velhos, que querem independência e privacidade, estão surgindo ainda de forma tímida no Brasil. 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Os projetos para idosos precisam de adaptações e não podem ser implementados em todos os locais, por causa da acessibilidade principalmente
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Fernando Chucre, secretário municipal de Habitação de SP

A arquiteta Laura Fitch traçou um panorama sobre o cohousing (vila comunitária que reúne espaços de compartilhamento de experiências). Responsável por implantar 30 empreendimentos com este formato nos Estados Unidos e países da Europa, a estudiosa, fundadora da Fitch Architecture & Community Design, ressaltou a importância da funcionalidade e da afetividade nas moradias compartilhadas. “Uma pessoa idosa tem muita sabedoria e no cohousing isso é bastante valorizado”. Sérgio Mühlen, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), falou sobre o Vila ConViver, projeto de cohousing previsto para ser construído no subúrbio de Campinas nos próximos anos.

Iniciativas

Os custos de habitações funcionais são o principal gargalo do Brasil. O déficit de moradias é alto nas capitais do País. O secretário estadual de Habitação de São Paulo, Rodrigo Garcia, o secretário municipal de Habitação, Fernando Chucre, e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, apresentaram exemplos de projetos populares voltados para o público sênior - a exemplo do Condomínio Cidade Madura, na Paraíba.

 

Henrique Noya, do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e Patricia Beber, do Kantar Worldpanel e Ricardo Sousa, da Brazil Senior Living, falaram sobre o potencial de crescimento desse atrativo mercado que começa a se organizar por aqui. 

Trata-se de diferentes modelos de empreendimento, para bolsos variados, que têm em comum facilidades como assistência médica em tempo integral, espaços para lazer e atividades culturais, além de promover o convívio entre os moradores. 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Se olharmos para hoje, quem tem maior renda per capita no Brasil são os chamados maduros independentes, acima dos 60 anos de idade
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Patricia Beber, da Kantar Worldpanel

O que teve

Casa compartilhada

Laura Fitch, do Architecture & Community Design, traçou panorama do cohousing no mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde atua com mais força. O contraponto brasileiro ficou a cargo do Professor da Unicamp, Sérgio Mühlen. O docente faz parte dos idealizadores da Vila ConViver, um cohousing que está em fase de desenvolvimento e será construído no subúrbio de Campinas.

Bairros 

Edgar Werblowsky, CEO da Aging Free, substituiu a palestrante Stephanie Anderson, que teve sua participação cancelada por um imprevisto. O executivo elencou as modalidades que são realidade nos Estados Unidos e que, com o tempo, devem chegar ao Brasil, como os Norcs, bairros que concentram mais de 60% de idosos e contam com apoio para os moradores.

Condomínios de luxo 

Os empreendimentos que oferecem assistência médica total aos moradores, por ora, ainda não existem no Brasil. Mais comuns nos Estados Unidos, esses espaços são aptos para socorrer moradores em casos onde os cuidados médicos são mais específicos, como AVC (acidente vascular cerebral), Alzheimer, quedas com consequências graves, entre outros. 

Locação social

Iniciativas que auxiliam idosos de baixa renda ainda carecem de investimentos no País. Os secretários estadual e municipal de Habitação de SP, Rodrigo Garcia e Fernando Chucre, e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho falaram sobre parcerias público privadas que podem minimizar os custos de viabilização de projetos. A Vila dos Idosos, em São Paulo, acolhe a preços acessíveis.

Baixa renda

Faltam iniciativas que contemplem os idosos de baixa renda no Brasil. Os representantes do poder público citaram a falta de incentivo e recursos para a construção de moradias apropriadas para pessoas acima dos 60 anos. Projetos isolados, como o Cidade Madura, na Paraíba, atendem sêniors que vivem em situações precárias e sem acesso aos serviços básicos, como saúde.

Lazer e socialização

Todos os empreendimentos que estão nascendo, no Brasil ou no exterior, para atender idosos têm em comum um cuidado até então dispensado aos mais velhos: a necessidade de interação e lazer entre os mais velhos. Os empreendimentos, em grande maioria, oferecem atividades que estimulam a interação entre os moradores, assim como atividades de lazer ao ar livre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Gustavo Zucchi, especial para o Estado

14 Novembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Pensar em moradias para idosos é pensar onde mais de 50% da população brasileira vai morar. As projeções mostram que, até 2040, metade do País terá mais do que 50 anos. Assim começam a surgir por aqui modelos que, muitas vezes ainda embrionários, ajudam a mostrar as opções que teremos para oferecer antes mesmo da metade do século. Essas novas formas tentam atender uma variada gama de idosos, das classes mais humildes as mais abastadas.

+++ Crescimento da população de idosos abre debate sobre moradias do futuro

Com menos dinheiro, o poder de escolha é mais escasso. O grande exemplo é a Vila dos Idosos, no bairro do Pari, em São Paulo. Controlado pela Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) e inaugurada na gestão do prefeito Gilberto Kassab, são 145 apartamentos que abrigam idosos que têm renda até três salários mínimos. Uma das primeiras moradoras foi Neide Duque Silva, de 75 anos. A aposentada conta que entrou para o Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital (Garmic) por coincidência, ao procurar uma alternativa para o aluguel que pagava e que não estava dando conta. Hoje ela é membro do Conselho Municipal do Idoso e se apaixonou pela nova casa. “Eu acho que está faltando agilizar um pouco mais a parte cultural e de lazer, de atividades. Tem aparelhos de ginástica, mas precisava ter um monitor”, conta. 

+++ Desafios do mercado grisalho no País

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Vai caber a cada País, a cada cidade, a cada região, encontrar alternativas inclusivas para os idosos. Não existe fórmula para isso ainda
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Mariana Barros, editora do portal Esquina

Atrativos

Mesmo sem ter uma adaptação perfeita nos apartamentos, ela diz que há fila de cadastrados na Cohab na tentativa de arrumar uma vaga. O atrativo além do preço (por meio de um programa de locação social, que equivale a 10% do salário e uma taxa simbólica de R$ 35 de condomínio) é a possibilidade de morar ao lado de outros idosos.

“Até recentemente a gente pensava que boa velhice era ir morar com os filhos. Agora as atuais gerações de idosos não querem mais ser dependentes. Quando você convive com pessoas da mesma idade, do mesmo nível de dependência, o avanço dos anos deixa de ser um problema e passa a ser uma experiência para as pessoas”, explica a Professora de Antropologia da Unicamp e autora do livro A Reinvenção da Velhice, Guita Grin Debert. 

 

Independência

O fenômeno não acontece apenas com quem não tem onde morar. Na outra ponta do espectro social, as classes altas que podem pagar não apenas por moradia, mas por uma variada gama de serviços, também busca casas exclusivas. É o caso de Ana Maria Benavente, moradora do Cora Residencial. Aos 80 anos, ela conta que decidiu se mudar no dia que o filho lhe encontrou caída ao lado da cama, desacordada. O que aconteceu por causa de um acidente acabou virando um estilo de vida: “O que eu mais gosto são as amizades. Temos nossa turma de jogar dominó, brincamos, gritamos”, conta. A hospedagem lá custa R$ 7.500. Já a moradora do Solar Ville Garaude, em Alphaville (SP), Gilda Maria Tolentino, 78 anos, vai além: “Tenho duas amigas que quero que venham para cá.” 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
No Estatuto do Idoso, dos 118 artigos nenhum fala em economia, na importância do setor privado. Acreditava-se que a velhice atrasava a economia, quando na verdade elas são inseparáveis
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Henrique Noya, do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon

A autonomia é um dos atrativo mais caros a geração que hoje já está na terceira idade. O que eles não querem é alguém lhes falando o que, como e quando fazer. É o caso de Antônio Capozzi de 91 anos e morador do residencial Lar Sant'Ana: “A privacidade para meu caráter é imperativo”, afirma. Sua colega, Anna Lyrs, de 91 anos, concorda com Capozzi: “Faço o que quero e ninguém se intromete”, completa. Ambos pagam R$ 15 mil para morar lá.

Mercado

A expansão desse conceito de moradia deve vir em breve, com condomínios voltados para o público acima dos 60 anos. Em 2018 a construtora Tecnisa deve lançar um empreendimento no Jardim das Perdizes, em São Paulo, com apartamentos equipados, área comum de clube, enfermeiro de plantão e elevador com espaço para maca visando a classe média alta. “No nosso empreendimento ele está na casa dele. De porta trancada. Quem quiser entrar vai ter que bater”, diz Joseph Meyer, presidente da construtora. Para quem se interessar por morar sozinho na terceira idade, algumas observações são importantes na hora da decisão. Segundo Rosaria Ono, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU), cômodos como o banheiro e a cozinha devem ter uma atenção especial, com barras e piso antiderrapante: “As edificações antigas não pensavam nessas questões. O desafio é criar ambientes que possam ser usados por jovens e idosos”, explica. 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Os modelos de condomínios podem atingir uma parcela maior da população (mais velha) brasileira, pois é mais tradicional
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Edgar Werblowsky, da Aging Free Fair

Encontrou algum erro? Entre em contato

ENTREVISTA: ‘É uma volta a um modo mais antigo de viver’

Arquiteta e estudiosa, Laura Fitch defender o estilo de vida em uma cohousing, mais social mas com privacidade

Entrevista com

Laura Fitch, especialista em cohousing

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 10h29

Ao viajar para Dinamarca, em 1994, a arquiteta Laura Fitch se apaixonou pelo modelo de cohousing. A vida em uma comunidade que mantinha a individualidade ao mesmo tempo que estimulava o convívio social se transformou em um modelo de vida. Em entrevista ao Estado, a hoje ativista ressaltou que o modelo é mais uma volta a necessidade básica humana de contato e não uma invenção moderna.

Você descreveria o cohousing como um novo jeito de viver em sociedade?

Na verdade eu diria que é um retorno a um modo antigo de viver. Quando éramos jovens, ou quando nossos pais eram jovens era plenamente comum brincar na rua e viver fora de casa e ver as atividades das pessoas na rua. O que aconteceu é que as famílias ficaram menores e se mudaram para longe de suas famílias e as coisas ficaram mais urbanas. Mas a necessidade básica humana por contato ainda está lá. Estamos nos lembrando disso

Mas não é um desafio implementar esse modelo em uma grande cidade como São Paulo ou Nova York?

Acho, na verdade, que é bastante adaptável. Você já tem apartamentos, condomínios. Acho que apenas o térreo tem que se tornar mais acessível, mais área comum. Meus pais vivem em Boston, é uma grande cidade e eles têm uma área térrea que é feita para as pessoas chegarem e entrarem diretamente no elevador. Deveria ser feita para as pessoas chegarem, sentarem, conviverem.

É uma mudança na cultura de quem vive nas grandes cidades também?

Sim, você precisa se organizar em torno disso. Se nós fizermos isso iremos mudar um pouquinho. Criando uma área comum no térreo, uma cozinha comunitária uma sala de jantar, é outro jeito de fazer as coisas.

E os desafios de estabelecer um grupo de cohousing em um país de terceiro mundo como o Brasil?

O grande desafio, sempre, é ter um grupo que pague o custo inicial, achar uma terra para construir a cohousing. Mas eu não acho que a cultura das pessoas é diferente. Elas querem uma comunidade, querem se conectar com outras pessoas. Talvez elas não saibam que querem uma comunidade e isso é algo interessante. Então nós temos que educar as pessoas sobre isso.

Os idosos são os que mais se beneficiam em uma cohousing?

Eu tenho um vizinho cuja esposa tem demência. As vezes ele tem que optar por uma cuidadora. Mas agora ele tem suporte para ajudar com ela. Alguns vizinhos se esforçam para ajudar e perguntar como ela está indo. Muitas mulheres solteiras também se beneficiam, já que os homens costumam morrer mais cedo. Então as viúvas idosas, que muitas vezes se sentem sozinhas têm alguém para chamar elas para um filme. E é mais fácil porque quando vemos ela na frente do espaço comum já sabemos: “Ah, você quer ver um filme”. Você não precisa telefonar.

As cohousings, além de prover uma integração maior com as pessoas, também são mais ecologicamente sustentáveis?

Sim, porque os recusos são divididos e não precisamos de tantos recursos quanto usamos hoje.Na questão de espaço também porque você tem casas menores e sobra mais espaço para plantas, agricultura doméstica. Em uma situação urbana você pode decidir colocar um jardim no terraço e são as pessoas que decidem, não o dono do prédio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 10h34

Os modelos de habitação para idosos de baixa renda no Brasil ainda são incipientes. Porém, existem iniciativas públicas que estão começando a despontar. É o caso do Cidade Madura, programa do Governo da Paraíba que consiste na construção de condomínios exclusivamente voltados e adaptados para idosos que não possuem moradia própria ou que vivem em situações precárias.

Ricardo Coutinho, governador do Estado, contou durante a sua participação no Fórum de Moradia para Longevidade, detalhes de como foi concebido o projeto que já implantou quatro condomínios na região. Foram investidos cerca de R$ 18 milhões para a construção dos residenciais em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira e Cajazeiras. Até o final do ano, mais um empreendimento será lançado. “O investimento por residencial é de R$ 5 milhões.”

O Cidade Madura conta com 40 unidades habitacionais totalmente adaptadas às necessidades das pessoas idosas. O residencial também possui sala de atendimento médico e toda a sua área é urbanizada dentro das normas de acessibilidade.

“Não são cobradas taxas dos moradores. Eles não têm renda suficiente. Ma não conseguimos atender toda a demanda”, diz Coutinho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.