Crianças cegas e com baixa visão têm acesso a literatura infanto-juvenil

Produtora lança em Araras (SP) dois primeiros títulos de coleção voltada para deficientes visuais

estadão.com.br

01 Julho 2010 | 18h25

SÃO PAULO - Com a proposta de incluir crianças com deficiência visual (cegas ou de baixa visão) no criativo e rico universo da literatura, a produtora cultural Silvia Maria Track, com o patrocínio da Fundação Nestlé Brasil, lança em Araras (SP) nesta quinta-feira, 1º, os dois primeiros títulos da Coleção Edelweiss (Brisa-Brilho e Mãe da Vida), pioneiros no atendimento do público infanto-juvenil com deficiência visual no País.

 

A tiragem inicial de 6 mil exemplares será distribuída para escolas da rede pública de Araras e para a Pró Visão (Sociedade Campineira de Atendimento ao Deficiente Visual), entidade que orientou a edição das publicações sobre a adequação dos textos e das ilustrações para que as histórias possam ser lidas pelas crianças com deficiência.

 

Para adaptar as obras às técnicas que permitirão a leitura pelas crianças com baixa visão, a produtora cultural Silvia Track, co-autora dos livros, seguiu as orientações sobre o tipo e tamanho das letras, contraste de cores e contornos bem demarcados nas imagens.

 

Para também atender as crianças cegas, metade dos exemplares foi transcrita e impressa em Braille e será doada à Pró Visão para redistribuição às bibliotecas de entidades afins em todo o Brasil.

 

As ilustrações são assinadas pelo desenhista Paulo Branco e a distribuição dos livros está sob a responsabilidade da Associação para Estudos e Projetos em Esportes, Cultura e Meio Ambiente (Edelweiss).

 

Deficiência visual no Brasil

 

De acordo com o Censo do IBGE de 2000, dos 24,5 milhões de brasileiros com deficiência, 16,5 milhões (67%) são deficientes visuais (baixa visão ou cegos). Destes, 32% (5,2 milhões) são crianças. Apenas no Estado de São Paulo, são 2,6 milhões de pessoas com deficiência visual.

 

De acordo com a presidente da Pró Visão, Maria Cristina Camargo, até hoje os poucos livros destinados às crianças com baixa visão trazem, erroneamente, letras grandes, sem considerar que doenças como o glaucoma, por exemplo, tornam a visão tubular e a ampliação das palavras apenas fará com que o texto saia do campo ocular. "Esse projeto é o primeiro adequado a elas", afirma.

 

As histórias

 

Em Brisa-Brilho, Kathia Vieira usa o nascimento de uma brisa para mostrar o quanto devemos valorizar a nós mesmos e os conhecimentos que adquirimos. Já Suzana Montauriol trata, em Mãe da Vida, de temas sobre a diversidade cultural, ambiental e filosófica e usa textos poéticos e lendas para falar de autoestima, cidadania e percepção do outro.

 

"Livros sobre temas ambientais ajudam também nossas crianças a ingressar no universo da preservação, já que a baixa visão as impede de ter acesso aos apelos visuais da sustentabilidade, como matas, borboletas e araras. Elas ouvem as falas, mas não podem ver as belezas das fotos e imagens na TV. Por meio das ilustrações adequadas no livro, elas passam a ter uma ideia melhor da beleza da natureza", diz Cristina.

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