Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Cuidadores devem pedir ajuda e aprender a viver o presente, diz associação

Após ter a mãe diagnosticada com Alzheimer, o ator Carlos Moreno passou a se dedicar a divulgar a doença

Wanise Martinez, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2012 | 10h00

 Há quase nove anos, o ator Carlos Moreno, famoso pelo papel de garoto-propaganda da Bombril, presenciou a mãe ser diagnosticada com Alzheimer. Sem saber nada da doença, ele e sua família foram em busca de tratamento e de informações. "Tentar manter a calma e procurar um especialista são os pontos mais importantes nessa fase", diz. A história pessoal levou Moreno a se envolver com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), da qual é diretor de divulgação. "Nosso objetivo é mostrar o que é essa enfermidade, que muita gente nem conhece, e qual é a importância do diagnóstico precoce", esclarece o ator.

Qual foi a reação da sua família ao saber da doença da sua mãe?

Logo de início, ficamos bem assustados, até porque não sabíamos nada sobre o Alzheimer e já pensamos no pior. Felizmente, o diagnóstico foi feito precocemente e minha mãe começou o tratamento. Nós também fomos atrás de um grupo de apoio para entender melhor a doença e isso tem nos ajudado bastante.

Ela sabe que está doente?

Decidimos não contar. Dissemos que ela precisava de um remédio para memória e ela começou a tomar desde então.

Essa é a melhor decisão nesses casos?

Acho que cada família deve pesar os prós e contras de contar para o ente querido que ele tem Alzheimer, até porque essa memória recente não deve ser guardada por muito tempo e teria de ser recontada outras tantas vezes.

Como sua mãe vem desenvolvendo a doença?

Ela está com 88 anos e super bem. Reconhece todo mundo e realiza suas tarefas. É claro que notamos que a doença está evoluindo, mas não imaginava que ela reagiria assim após esse longo período. Temia pelos efeitos colaterais dos remédios, mas tudo está sendo bem tranquilo.

Qual o papel do companheiro nesses casos?

Tivemos um pouco de resistência para que meu pai aceitasse que minha mãe precisava de outros cuidados. Acho que essa questão é importante: o companheiro também idoso se abrir e deixar outros cuidadores assumirem a função. Ele não vai dar conta de tudo sozinho, mas é difícil aceitar essa mudança quando se vive junto por tantos anos.

E a importância do cuidador?

A presença do cuidador é fundamental durante o tratamento. O problema é que, na maioria das vezes, as pessoas precisam largar seus empregos para cuidar dos parentes com Alzheimer. Isso é muito complicado. Precisamos contar com mais assistência para os doentes e suas famílias por parte do governo.

Você acha que a rede pública falha nesse ponto?

Muito. Faltam mais locais adequados para os doentes serem tratados enquanto seus familiares trabalham, pois muitos não têm condições de pagar um cuidador. Além disso, também necessitamos de mais profissionais treinados e medicamentos ao acesso das pessoas.

O que dizer para as pessoas que também cuidam de familiares com a doença?

Não se sintam os únicos responsáveis pelos doentes, peçam ajuda. E aprendam a viver o presente, sem culpas, pois só assim é possível aproveitar o máximo da relação com o seu ente querido.

 

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