Ehsan Navamar/Freeimages
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Anvisa proíbe papinha para bebê vendida online

Especialista alerta para os cuidados necessários na hora de comprar alimentos pela internet

Ludimila Honorato, O Estado de S. Paulo

21 Março 2017 | 19h18

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta segunda-feira, 20, em todo o Brasil, a fabricação, distribuição, venda e divulgação dos produtos da marca Papá no Prato. Os itens eram vendidos pela internet por fabricante desconhecido e não tinham registro na agência.

Na resolução publicada no Diário Oficial da União, a agência lembra que os alimentos de transição para lactentes e crianças da primeira infância (de 0 a 6 anos) são de registro sanitário obrigatório. Em nota, a Papá no Prato informa que "a notificação que receberam se refere à documentação e registro na Agência, não havendo nenhuma notificação ou restrição de ordem sanitária." Afirmam ainda que "os produtos são totalmente seguros e seguem o manual de boas práticas de produção e qualidade, mas já foram recolhidos e não estão sendo comercializados até que todos os trâmites burocráticos sejam resolvidos."

A nutricionista, Renata da Silva Alves, especializada em grávidas e crianças, recomenda cozinhar refeições frescas diariamente, mas, se isso não for possível, os pais podem continuar comprando papinhas ou outros alimentos pela internet, desde que tenham alguns cuidados.

“Certifique-se de que a empresa está de acordo com as normas e regulamentada em órgãos fiscalizadores, tente, se for possível, visitar a loja física do comerciante, verifique se o estabelecimento possui um nutricionista que calcula os rótulos e fiscaliza a produção dos alimentos e consulte o registro desse profissional no Conselho Regional de Nutrição”, orienta.

Renata destaca que a adição de conservantes e sal só é permitida para crianças acima de 1 ano de idade, e a de açúcares ou adoçantes, após os 2 anos. Assim, é preciso consultar o catálogo com as informações nutricionais para ver se os alimentos vendidos pela internet seguem essa recomendação. Também é importante verificar o tipo de material para armazenamento e se o alimento é transportado em câmara refrigerada. “O descongelamento do alimento durante o transporte pode proliferar bactérias e causar problemas digestivos na criança”, alerta.

A nutricionista diz que o consumo de alimentos que não estão regulamentados pela Anvisa pode ter consequências graves à saúde da criança, desde o desbalanceamento de nutrientes até o consumo de alimentos proibidos ou contaminados durante a produção. “Muitas empresas podem informar em seus rótulos que possuem determinados nutrientes importantes para o desenvolvimento das crianças, mas, na verdade, não os conterem ou a quantidade informada ser diferente”, afirma.

Autuações

Segundo a agência, a interdição de alimentos é relativamente comum. No último ano, mais de 100 produtos alimentícios foram proibidos, seja por falta de registro, conteúdo impróprio ou propaganda irregular que atribui propriedades não estabelecidas pela legislação sanitária. As irregularidades são divididas em dois tipos: alimentos clandestinos ou que trazem promessas falsas de saúde, e casos pontuais de alimentos apreendidos pelas autoridades municipais por problemas diversos como conservação e armazenamento inadequado.

Também nesta segunda, a agência havia divulgado também a interdição de um lote de paçoca em rolha da marca Dicel, produzida em Goiânia, por conter alto teor de uma substância cancerígena. 

 

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