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Saúde

Dengue

Dez capitais estão em estado de alerta para dengue e chikungunya

Segundo o Ministério da Saúde, 44% dos 1.463 municípios que fizeram levantamento estão na situação ou em risco para as doenças

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Lígia Formenti,
O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2014 | 12h27

BRASÍLIA - Levantamento feito pelo Ministério da Saúde em outubro mostra que 44% dos 1.463 municípios que fizeram o Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa) estão em situação de alerta ou de risco para dengue e febre chikungunya. De acordo com trabalho, dez capitais estão em estado de alerta, em razão do alto grau de criadouros encontrados no levantamento: Maceió, Natal, Recife, São Luís, Aracaju, Vitória, Cuiabá e Porto Alegre, Belém e Porto Velho. Há ainda algumas capitais que não enviaram as informações. 

"Os dados são considerados essenciais para tentar nortear o trabalho de combate aos criadouros do mosquito transmissor das duas doenças. O momento é agora para reduzir os riscos, antes de o período das chuvas chegar", disse o secretário de  Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

Além do levantamento, o ministério lançou uma campanha de alerta para o combate dos mosquitos, sob o mote "o perigo aumentou", em uma alusão direta ao risco de o país enfrentar, no próximo verão, epidemias simultâneas das duas doenças, a dengue e febre chikungunya. 

"Não podemos desconsiderar que temos o duplo risco neste ano", disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ao apresentar os números, ele chamou a atenção para a necessidade de se reforçar estratégias de prevenção nas áreas afetadas por problemas de abastecimento de água. "É preciso olhar armazenamento de água, medidas de proteção, com o uso de tela."

Dengue x febre chikungunya. Chioro alertou também para a necessidade de se diferenciar as duas doenças, que apresentam uma série de sintomas comum, além dos mesmos agentes transmissores, Aedes aegypti e Aedes albopictus. "Vivemos uma situação delicada para equipes de saúde, sejam públicas ou privadas", disse Chioro.

A Região Nordeste apresenta o maior número de cidades em situação de alerta: 354 e outras 96 em situação de risco. A maior parte dos criadouros foi encontrada em armazenamento de água, 78,8%.

Já na Região Sudeste, dos 426 municípios analisados, 90 estão em situação e um em estado de risco - Governador Valadares, em Minas. Vitória está em situação de alerta. No Sudeste, a maior parte dos criadouros foi encontrada em depósitos domiciliares, como calhas e vasos de plantas.

O secretário Barbosa chama atenção, no entanto, para o aumento de criadouros encontrados em armazenamento de água. Neste ano, 28,6% dos criadouros foram encontrados nos reservatórios, enquanto no ano passado foram identificados 25,1%. "É importante eliminar os criadouros para reduzir a quantidade de larvas", disse. 

Menos de dois meses depois do primeiro caso de transmissão no Brasil, a febre chikungunya já causa epidemia em dois Estados: Bahia e Amapá. Até agora, foram identificados 785 casos autóctones  e outros 39 importados. Provocada pela picada dos mosquitos Aedes aegypti ou Aedes albopictus contaminados pelo vírus, a doença provoca febre, dores no corpo e  manchas vermelhas.

Embora ela não tenha a forma hemorrágica - e, por essa razão, sejam raros os casos de risco à vida -, a doença pode causar dores agudas nas articulações. A manifestação pode se tornar crônica, exigindo o tratamento de fisioterapia para melhorar os sintomas. Essas características preocupam o Ministério da Saúde, sobretudo diante da ausência, nos serviços públicos de saúde, de um número adequado de profissionais para atender um aumento expressivo da demanda.

Para tentar contornar o problema, a pasta está preparando um manual de autocuidado, dirigido para pacientes contaminados pelo vírus. Na cartilha, informações sobre os exercícios mais indicados, quais os melhores procedimentos para serem realizados, como compressas quentes ou frias, nos diversos estágios da doença. 

Outra preocupação das autoridades sanitárias  é evitar uma confusão no diagnóstico entre chikungunya e dengue. As duas têm muitas semelhanças, mas a dengue exige cuidados específicos que, se não adotados, podem levar à morte.

Para tentar evitar o risco, o ministério está preparando cartilhas para orientar médicos a fazerem a diferenciação por meio das manifestações clínicas. Pacientes com febre chikungunya queixam-se sobretudo de problemas nas articulações. No caso da dengue, os sintomas mais comuns são dores no corpo e dores de cabeça. 

A febre chikungunya começou a se espalhar pelo mundo a partir de 2013. Os primeiros casos importados foram registrados no Brasil em 2010. Há dois anos, o País se prepara para a chegada da doença em território nacional. Planos de contingência foram preparados. Seis laboratórios estão capacitados para fazer a identificação da doença - o teste, no entanto, tem função de vigilância.

A recomendação para profissionais de saúde é a de que o tratamento seja semelhante ao da dengue. Como é difícil distinguir, o ideal é que todos tenham tratamento semelhante, com cuidado máximo para se evitar um quadro hemorrágico - causado apenas pela dengue.

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