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WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Dilma anuncia R$ 10 mi para estudos sobre o zika na Fiocruz

Além da busca de vacinas, verba deverá ser usada em pesquisas de combate ao mosquito 'Aedes aegypti'

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Clarissa Thomé,
O Estado de S. Paulo

10 Março 2016 | 19h03

RIO - A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciaram a liberação de R$ 10,4 milhões para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para estudos de combate ao mosquito Aedes aegypti. Destes, R$ 4,4 milhões são para financiar pesquisas científicas vacina contra o vírus zika. O restante será destinado para pesquisas sobre zika e microcefalia em parceria com a agência de saúde americana NIH (National Institutes of Health).

Com a agência americana, foi estabelecida parceria para estudos populacionais de longo prazo para esclarecer questões ligadas à infecção por zika e a relação com microcefalia. "Vamos acompanhar a população de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro atingida pelo zika, com e sem danos de má-formação congênita. Esse estudo é fundamental, como um recente com grávidas que nós mostramos que 30% dos bebês tiveram alguma alteração e que o zika pode provocar efeitos em toda a gestação", afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha. 

Gadelha ressaltou ainda que algumas questões precisam ser esclarecidas, antes do desenvolvimento de vacinas, como saber se a pessoa infectada pelo zika fica imune ao vírus e por quanto tempo. "As previsões mais otimistas dizem que a gente poderia a partir do fim do ano os estudos clínicos. Se acontecer, será um grande feito. Mas é previsão otimista. Tudo dando certo, teríamos a vacina no mercado em três anos".

Dilma visitou pela primeira vez a Fiocruz na tarde desta quinta. No encontro de cerca de duas horas, ela conheceu Bio-Manguinhos, unidade de produção de vacinas, e assistiu a uma apresentação sobre o projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, iniciativa que propõe a introdução na natureza de mosquitos Aedes aegypti contaminados com a bactéria Wolbacchia, que bloqueia a transmissão de vírus. A pesquisa mostra que em 6 meses, 80% da população de mosquitos passou a ser de insetos que não transmitem dengue. 

"Uma questão central para o controle de vetores é o escalonamento do projeto Wolbachia. Vamos definir o nível de escalonamento e decidir por qual cidade vamos começar. A alternativa é trabalharmos população de 400 mil habitantes, que é a da Indonésia, até uma cidade de 6 milhões de habitantes, como o Rio de Janeiro", afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha. O custo da opção mais ambiciosa é de US$ 40 milhões por três anos, divididos entre a Fundação Bill e Melinda Gates, o governo federal e contrapartida da prefeitura que receberá o projeto. A presidente vai tomar a decisão no próximo mês, disse Gadelha.

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