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Dióxido de carbono já foi responsável por várias mudanças climáticas

Estudo de equipe norte-americana mostrou que eventos climáticos já foram mais comuns que o imaginado

estadão.com.br,

17 Março 2011 | 18h16

Um estudo do Instituto de Oceanografia Scripps, de San Diego, concluiu que mudanças climáticas não são fenômenos tão raros quanto se poderia imaginar. O professor de Geologia Richard Norris disse que a liberação de dióxido de carbono encontrado nas profundezas dos oceanos é uma forte evidência do que se pode chamar "hipertermal". A pesquisa foi publicada na edição desta semana da revista Nature.

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De acordo com as análises feitas pela equipe de Norris, as temperaturas subiram entre 2º C e 3º C na maioria dos eventos analisados, números que coincidem com as previsões mais conservadoras das atuais discussões sobre o aquecimento global para as próximas décadas. Também foi verificado que estes períodos mais quentes duraram cerca de 40 mil anos antes de retornarem às temperaturas anteriores.

Os hipertermais ocorreram aproximadamente a cada 400 mil anos em uma época mais quente da Terra, há cerca de 50 milhões de anos. A mudança mais crítica ocorreu durante a transição de um evento conhecido como Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, período onde foi verificado uma mudança entre 4ºC e 7ºC. Foram necessários 200 mil anos para que a temperatura voltasse à marca anterior.

Os pesquisadores acreditam que o estudo poderá ajudar a compreender o impacto que este tipo de mudança provoca nos ecossistemas marinhos, no clima e nos oceanos. Eles também pretendem estudar a mudança climática ao contrário, ou seja, analisando a forma como as antigas temperaturas se reestabeleceram.

De acordo com Norris, os fenômenos hipertérmicos fornecem uma perspectiva do que a Terra irá experimentar se os combustíveis fósseis continuarem a ser uma das principais fontes de energia. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera apresentou um aumento de cerca de 50% após o início da Revolução Industrial. "Levando-se em conta os registros geológicos, nos próximos 100 a 300 anos nós poderemos produzir um sinal na Terra que levará dezenas de milhares de anos para se equilibrar", disse Norris. 

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