Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Dívida de R$ 2 milhões fecha hospital em São Paulo

Durante a quinta-feira, 38 pacientes, incluindo um em 'estado terminal', foram transferidos a outras unidades

Isis Brum - Jornal da Tarde,

21 Abril 2011 | 21h45

SÃO PAULO - O Complexo Hospitalar Paulista, em Cerqueira César, região central da capital, foi fechado nesta quinta-feira, 21, por causa de uma dívida de R$ 2 milhões em alugueis do imóvel onde funcionava. Havia 38 pessoas internadas, que tiveram de ser transferidas para outras unidades ao longo do dia. A unidade é alvo de pelo menos outros três processos de cobrança de pagamentos, abertos neste ano no Fórum João Mendes. Em 2008, foi condenada em uma ação civil pública por descumprir normas de higiene e por funcionar com quadro reduzido de funcionários, entre outras irregularidades. Os administradores não foram encontrados pela reportagem.

 

O oficial de Justiça e os advogados da família Iervolino, proprietária do imóvel, chegaram ao hospital às 10 horas para fechar o complexo e transferir os pacientes internados. A maioria foi encaminhada para o Hospital Presidente, no Tucuruvi, zona Norte de São Paulo - que pertenceria aos mesmos administradores da unidade despejada, segundo os parentes dos enfermos.

 

O porta-voz dos donos do prédio, o advogado Sayegh Neto, afirmou que a família alugou as ambulâncias usadas na transferência dos internos e garantiu alimentação e medicação aos pacientes durante o dia. Carros do serviço funerário da Prefeitura Municipal de São Paulo também foram usados para remover os doentes, muitos deles idosos.

 

Parentes de internos estavam em choque. "É um crime o que estão fazendo aqui", definiu a professora Edna Ramos de Araújo Rossi, de 55 anos. O sogro dela, Mário Rossi, entrou em coma após uma queda e está "em estado terminal". "Ele não tem condições de ser transferido", afirmou.

 

Internada com anemia profunda por causa de um câncer, a irmã da dona de casa Sueli Maria dos Anjos Silva, de 48 anos, não tinha recebido as bolsas de sangue necessárias à sua recuperação até as 18 horas de ontem. "É um desrespeito completo", reclamou Sueli.

 

A mãe, de 64 anos, do empresário Maurício Branco, 42, quebrou a bacia há 3 dias e só recebe analgésicos. "Deram uma injeção de morfina para ela aguentar a transferência", disse Branco. Segundo Sayegh Neto, houve tentativa de negociação da dívida e, em 31 de março, o hospital foi informado sobre o despejo.

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