Doador de sangue pode ter até 69 anos

Governo altera idade máxima para coleta, o que aumenta em 2 milhões o público potencial; exame mais rígido será adotado em 90 dias

Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2013 | 02h05

O Ministério da Saúde ampliou de 67 para 69 anos a idade máxima para doação de sangue no País. O governo também adotou teste mais preciso para identificar HIV e Hepatite C, além de um estudo para incluir a Hepatite B.

A medida aumentará em 2 milhões o público potencial de doadores. Atualmente, são coletadas no Brasil, por ano, 3,6 milhões de bolsas.

Esta é a segunda mudança na faixa etária em um ano. Em 2012, o governo havia reduzido a idade mínima para doação de 18 para 16 anos, com autorização do responsável.

Além da ampliação da faixa etária, será obrigatório em 90 dias um teste mais preciso para identificação de amostras de sangue contaminadas por HIV e Hepatite C. O exame, batizado de NAT, é uma reivindicação feita há 11 anos por especialistas. Há pelo menos três anos o governo adiava a implementação da medida.

A realização do teste será obrigatória em todos os bancos de sangue, públicos e particulares, do País. Não está definida ainda a forma como as unidades particulares serão ressarcidas com o custo do teste.

O exame usado foi desenvolvido pela Fiocruz. No ano passado, a obrigatoriedade do NAT chegou a ser anunciada. O governo federal, no entanto, voltou atrás, diante de problemas registrados no teste brasileiro.

O NAT permite a redução da janela imunológica, período em que a contaminação da amostra não é identificada pelo teste comum. A falha ocorre porque os exames tradicionais identificam a presença do anticorpo e não os traços do próprio vírus, como acontece com o exame novo da Fiocruz.

Avanço. "Foi uma vitória", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carmino Antonio de Souza, depois do início da obrigatoriedade do exame.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, prometeu que, no próximo ano, um novo teste de NAT, desta vez para hepatite B, deverá também se tornar obrigatório no País.

O exame ainda está em fase de avaliação na Fiocruz. "É possível que ele seja incorporado, mas não há como ter absoluta certeza", ponderou Souza.

A adoção do NAT para hepatite B, disse o presidente da ABHH, será essencial para evitar riscos de novas contaminações. "Trata-se de uma doença mais prevalente do que HIV e Hepatite C", disse. Com o NAT, a janela imunológica para hepatite B tem redução significativa e passa de 35 para 10 dias.

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