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Saúde

Opas

Em 1 mês e meio, dobra nº de países com zika

Dezoito países já têm casos autóctones; Organização Pan-Americana de Saúde pede ampliação de respostas ao vírus

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Lígia Formenti,
O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2016 | 21h27

BRASÍLIA - O número de países com circulação do vírus zika dobrou em um mês e meio, de acordo com alerta divulgado nesta segunda-feira, 18, pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Agora, de acordo com o mais recente comunicado, são 18 os países e territórios das Américas com casos autóctones – transmissão local – do vírus.

Diante do avanço da infecção, do aumento de casos de microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré, duas doenças relacionadas ao zika, a entidade recomenda que países-membros ampliem a capacidade de resposta de seus serviços de saúde, sobretudo para atendimento de síndromes neurológicas e de pacientes nos primeiros dias de vida. O documento reforça a necessidade de que sejam mantidos os esforços para reduzir a presença do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.

O Brasil declarou em novembro emergência sanitária nacional em razão do aumento de casos de bebês com microcefalia, uma doença até então rara. O surto foi identificado no Nordeste e aconteceu meses depois de a região ter enfrentado um aumento de casos de zika. 

Pesquisadores fizeram a associação com a infecção durante o período da gestação. Em oito exames realizados em bebês com microcefalia que morreram logo depois do nascimento e em fetos com diagnóstico da má-formação, foi identificada a presença do vírus – algo que reforça a hipótese de transmissão durante a gestação.

Embora evitem afirmar de forma categórica que a infecção pelo zika provoca a microcefalia, autoridades sanitárias emitem claros sinais de que não restam dúvidas sobre a associação. Diante dos dados, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendou que gestantes americanas evitem visitar países com circulação do vírus.

Síndrome. Segundo o relatório, há também aumento significativo de casos da síndrome Guillain-Barré, doença autoimune, que provoca paralisia progressiva. O processo se inicia pelos membros inferiores e migra para os superiores. Os sintomas regridem depois de meses, mas boa parte dos pacientes precisa ficar internada. A doença geralmente acontece depois de uma infecção provocada por vírus ou bactéria. 

Chama a atenção o aumento do número de casos em pacientes que apresentaram sintomas semelhantes aos do vírus zika (febre, coceira e manchas pelo corpo). O relatório cita como exemplo El Salvador. A média anual é de 14 casos por mês. Em dezembro, essa marca já havia subido para 46 casos, com duas mortes. 

O Brasil também é mencionado. Em 42 pacientes com a síndrome, 26 (ou 62%) haviam apresentado sintomas semelhantes aos de zika. A Opas cita como exemplo um estudo, cujo resultado foi antecipado pelo Estado, do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, de Pernambuco, que identificou a presença do vírus em amostras coletadas dos pacientes. 

O relatório da Opas reforça a necessidade de se ampliar a vigilância, com monitoramento de novos casos de síndromes neurológicas e anomalias congênitas. A vigilância não deve se resumir à síndrome de Guillain-Barré. É preciso ficar atento também à Síndrome de Fischer, encefalites e meningites.

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