Em 2030, 7 em cada 10 mortes serão causadas por doenças não infecciosas

Dados de publicação médica destaca que cerca de 23 milhões de mortes provocados por doenças crônicas se concentram em 23 países

Efe

11 Novembro 2010 | 03h00

LONDRES - Em 2030, sete em cada dez mortes no mundo serão causadas por doenças não infecciosas, como as crônicas, avalia a revista médica The Lancet em uma série de trabalhos sobre o tema.

Há atualmente nos países pobres e de nível médio muitas possibilidades para intervenção eficaz, mas a fraqueza de seus sistemas de saúde impossibilita fazer frente ao desafio crescente dessas doenças.

Cerca de 23 milhões de mortes por doenças crônicas - número que representa 60% das vítimas anuais por esse tipo de enfermidades em todo o mundo - se concentram em 23 destes países. E seis em cada dez dessas mortes são de pessoas de 70 anos ou menos.

Os elevados índices de tabagismo em homens desses países - que incluem a Rússia, com 65%, e a China, com 57% - revelam a falta de controle, indica um dos trabalhos que fazem parte da série sobre doenças crônicas e desenvolvimento da revista médica britânica.

Entre as medidas propostas, além da proteção aos fumantes passivos do perigo do tabaco e da proibição tanto da publicidade desse produto como do patrocínio de empresas do setor a eventos esportivos, está o aumento dos impostos.

O sobrepeso e a obesidade também constituem problemas graves, sendo os mais afetados a Argentina, com 74% dos homens neste grupo, e o Egito, com 74% das mulheres.

De acordo com os autores do estudo, em 14 desses países os índices de doenças infecciosas terão redução de 2% anualmente nos próximos 40 anos, enquanto os casos de câncer terão crescimento anual de 1,1% e os de doenças vasculares, de 0,7%.

Outro trabalho da série da "The Lancet" analisa as estratégias frente os fatores de risco de obesidade em seis países emergentes - Brasil, México, China, Índia, Rússia e África do Sul - e um desenvolvido - Reino Unido.

Em todos os sete, a obesidade e as doenças crônicas a ela relacionadas constituem um grave problema. Sete de cada dez adultos mexicanos são obesos ou têm excesso de peso, enquanto a China tem, com 92 milhões de casos, os mesmos índices de diabetes dos Estados Unidos.

Os casos de obesidade triplicaram entre os homens no Brasil e dobraram entre as mulheres.

Para combater o problema, o estudo propõe campanhas de promoção da saúde na imprensa, impostos e subsídios destinados a incentivar o consumo de alimentos mais saudáveis, regulação da publicidade dos alimentos destinados a crianças e um sistema de etiquetas obrigatórias que indicassem os níveis de açúcar e sal de cada produto.

Em um comentário que acompanha a série de trabalhos, o estudo adverte que se o governo fizer pouco caso das ameaças das quatro doenças crônicas mais preocupantes - câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas - "as pessoas sadias serão minoria, as crianças doentes morrerão antes de seus pais e os sistemas de saúde não darão conta".

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