Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

‘Em 5 dias, estava praticamente sem dor’, diz paciente que mudou tratamento após biópsia líquida

Gisele Ruiz, diagnosticada com câncer de pulmão, relata procedimentos e destaca uso compassivo de medicamento sem aval no País

Fernanda Bassette, Especial para o Estado

02 Agosto 2017 | 03h00

A administradora de empresas Gisele Ruiz, de 41 anos, é uma das pacientes com câncer de pulmão que se submeteu à biópsia líquida no Hospital AC Camargo Cancer Center para monitorar a doença e acabou descobrindo que seu tumor estava resistente à medicação principal. Com a doença avançando, era preciso agir rápido e mudar a droga para a terapia de segunda geração, que ainda não havia sido aprovada no Brasil. 

Na época, o hospital conseguiu a liberação do uso da droga de resistência por meio do uso compassivo - um programa aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em que o paciente recebe o medicamento diretamente do laboratório, sem custos, enquanto houver benefícios. E assim Gisele se mantém até hoje, com a doença sob controle e sem dores.

Até chegar a esta fase, no entanto, a administradora de empresas passou por momentos difíceis. O próprio diagnóstico da doença demorou muito tempo. Por ser uma pessoa ativa, não fumante e praticante de musculação e exercícios físicos, as fortes dores nas costas eram frequentemente confundidas com estresse no trabalho ou mau jeito durante a prática esportiva. Ela chegou a fazer fisioterapia e RPG, mas nada tirava a dor.

O diagnóstico veio apenas quando ela teve febre alta e foi internada. Durante os exames, foi constatado que estava com 1,5 litro de líquido acumulado no pulmão. A confirmação do câncer chegou após a realização da biópsia convencional. “O tumor já estava com metástase nos ossos. Tive, então, de fazer uma cirurgia para colocar uma prótese de titânio na perna e um tipo de cimento na bacia”, conta a administradora.

Além da medicação alvo para o tumor, Gisele fez seis sessões de quimioterapia e dez de radioterapia. Nesse período, perdeu 15 quilos e sentia-se extremamente debilitada e enfraquecida. Voltou a morar com os pais e chegou a ficar sem caminhar por um tempo por fortes dores e falta de força. Até morfina teve de usar. Depois passou a utilizar uma bengala como apoio.

Ao fim das sessões de quimioterapia, Gisele foi submetida à biópsia líquida, que indicou a resistência do tumor e a necessidade de mudar a medicação, com o uso compassivo. 

Vida normal. “No dia seguinte que comecei a medicação já senti uma melhora. Em cinco dias eu já estava praticamente sem dor. Voltei a ter uma vida absolutamente normal”, afirmou. 

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