David Mercado / Reuters
David Mercado / Reuters

Em cidades como La Paz, altitude reduz capacidade física em pelo menos 10%

Seleção brasileira joga na cidade nesta quinta; em atividades intensas como uma partida de futebol, perda é de pelo menos 28%

Alessandra Monnerat e Thaís Ferraz Fernandes, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 11h59

Não é preciso ser atleta para sentir os efeitos da altitude no corpo. A seleção brasileira vai jogar nesta quinta-feira, 5, em La Paz, na Bolívia, a 3.660 metros acima do nível do mar. Mas nas alturas, mesmo atividades cotidianas como caminhar ou subir escadas podem se tornar desafios - na cidade boliviana, a capacidade de absorver oxigênio, fundamental para o bom desempenho físico, é reduzida em 10%. Quando a atividade é intensa, como um jogo de futebol, a redução é ainda maior: 28% . E esse número diminui mais 10% a cada mil metros de subida.

Isso acontece porque a pressão atmosférica, responsável por empurrar oxigênio para os nossos pulmões, diminui em grandes altitudes. Como consequência, nosso corpo sofre hipoxia, uma redução no volume desse elemento nos tecidos orgânicos. Assim, as frequências cardíaca e respiratória aumentam, como forma de compensar essa perda.

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Em baixas altitudes, uma pessoa saudável que pesa 80 quilos é capaz de consumir 3,2 litros de oxigênio por minuto. Já em cidades como La Paz, essa capacidade diminui para cerca de 2,9 litros. Isso influencia diretamente a capacidade aeróbica - potencial de produzir energia corporal por meio do oxigênio.

No topo do monte Everest, a 8.844 metros de altitude, uma pessoa saudável terá o mesmo desempenho físico que um doente pulmonar situado a nível do mar. “Ela ficará ofegante, se sentirá extremamente cansada, terá dificuldades para caminhar e sentirá o coração extremamente acelerado”, explica o fisiologista Paulo Zogaib, professor de Medicina Esportiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O especialista esclarece que os efeitos podem ser sentidos em qualquer atividade. “A mesma carga de trabalho vai exigir muito mais do corpo. E quanto maior a intensidade da atividade, maior o cansaço”, afirma.

Dia a dia

Atividades de média ou longa duração, acima de 10 minutos, como caminhadas e passeios de bicicleta, são diretamente impactadas pela altitude. Aylton Figueira Junior, professor de Educação Física na Universidade São Judas Tadeu, explica que em exercícios vigorosos como subir rampas e fazer faxina pesada a absorção de oxigênio é diminuída em 28%. “Além dessa redução, o corpo produz mais gás carbônico, e quanto mais CO2 no corpo, mais circulação de sangue é necessária para eliminá-lo”, explica.

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Segundo o médico Gabriel Ganme, especialista em Medicina Esportiva, os sintomas mais comuns relacionados à altitude são dor de cabeça, náusea, diarreia e dificuldade para dormir. Acima dos 4 mil metros, os riscos são ainda maiores. "Quando as pessoas ficam muitos dias em altitudes muito elevadas, podem ocorrer quadros mais graves, como edema pulmonar e edema cerebral", explicou.

Se você planeja uma viagem para cidades muito acima do nível do mar, Zogaib recomenda melhorar de antemão o condicionamento físico. Exercícios aeróbicos, como caminhada, natação e dança aumentam a capacidade de consumir oxigênio. Já nas alturas, a recomendação é pegar leve: "Tomar líquidos, comer coisas leves e evitar bebida alcoólica ajudam a contornar os efeitos".

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