Em documento, funcionários da Santa Casa de SP pedem renúncia do provedor

Em documento, funcionários da Santa Casa de SP pedem renúncia do provedor

Texto assinado por mais de 1,3 mil trabalhadores defende que renúncia de Kalil Rocha Abdalla é necessária diante da crise financeira

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2014 | 12h31

SÃO PAULO - Em documento com mais de 1,3 mil assinaturas, médicos e enfermeiros da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo pediram nesta sexta-feira, 19, a saída imediata de Kalil Rocha Abdalla do cargo de provedor da instituição. A entidade, que mantém o maior complexo hospitalar filantrópico da América Latina, vive crise financeira e acumula déficit de mais de R$ 400 milhões.

No texto, os funcionários afirmam que a grave situação financeira enfrentada pela instituição é decorrente de uma soma de fatores, entre eles irregularidades em contratos e outras falhas de gestão, e dizem que o “imediato afastamento do provedor” dos três cargos que ele ocupa - provedor, procurador jurídico e responsável pelo patrimônio imobiliário da entidade - é necessário para que a apuração dos fatos seja feita com a “devida transparência”.

Os médicos dizem também que Abdalla “estará fazendo um ato de extremado amor pela instituição, que, neste momento, precisa de sua renúncia para continuar a respirar”.

Os médicos tentaram entregar o documento com as assinaturas pessoalmente ao provedor, mas ele não estava na instituição, no início da tarde de ontem. O manifesto foi deixado com sua secretária.

O provedor afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto. Em entrevista ao Estado publicada anteontem, ele defendeu sua gestão e afirmou que eventuais irregularidades serão apuradas por uma sindicância aberta pela superintendência da instituição.

No documento, os funcionários afirmam apoiar o atual superintendente, Irineu Massaia, que assumiu o cargo em setembro, em seus projetos de reestruturação. Anteontem, ele anunciou um plano de contingência que prevê a redução de atendimentos eletivos.

A decisão de pedir a saída do provedor do cargo veio durante assembleia realizada pela manhã com cerca de 150 integrantes do corpo clínico do hospital. Após redigir o documento, o grupo passou a coletar assinaturas de funcionários nos diversos setores da Santa Casa.

Procedimento. O provedor só deixa o cargo se renunciar ou se for destituído pela Irmandade da Santa Casa, formada por 500 integrantes, ou pela Justiça.

Com a crise, irmãos opositores à gestão de Abdalla já colhem assinaturas para pedir a convocação de assembleia-geral da irmandade que teria o objetivo de discutir sua saída. O Ministério Público Estadual (MPE) já sinalizou que poderá entrar com ação civil pública para pedir a saída do provedor.

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