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REUTERS/James Gathany

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Fiocruz apura se zika pode ser transmitido por pernilongo

A equipe de pesquisadores no Pernambuco trabalha com uma amostra de 200 mosquitos livres de qualquer infecção

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MONICA BERNARDES,
Especial para O Estado

26 Janeiro 2016 | 18h28

RECIFE- Um estudo desenvolvido pelo departamento de entomologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco investiga se o zika vírus e a febre chikungunya também podem ser transmitidos pelo mosquito Culex, conhecido popularmente como muriçoca ou pernilongo. O levantamento investiga ainda se o zika tem um menor tempo para a replicação viral no vetor. 

No caso da dengue o período de incubação no inseto dura em média de 7 a 15 dias, quando só então ele passa a contaminar os humanos com a picada. No zika, isso pode ocorrer em três dias. O vírus já teve a circulação confirmada em 20 unidades da federação em menos de um ano, o que espantou as autoridades de saúde do País.

A pesquisa é coordenada pela pesquisadora Constância Ayres, do projeto de vetores da instituição, e deve ser concluída em três semanas. “O mosquito principal, que é considerado vetor, é o 'Aedes'. O Culex a gente está testando pela primeira vez, ninguém nunca testou”, destacou a pesquisadora - que também é vice-diretora de ensino da Fiocruz Pernambuco.

A equipe de pesquisadores trabalha com uma amostra de 200 mosquitos de cada uma das duas espécies que foram gerados em laboratório, livres de qualquer infecção. Os insetos foram alimentados com sangue infectado por zika. Em seguida, foi iniciada uma perícia minuciosa, como a análise no intestino e na glândula salivar do inseto para verificar a presença do material genético do vírus. “Se a gente detectar zika na glândula salivar significa que o mosquito pode transmitir o vírus”, afirmou Constância.

A pesquisadora destaca que essa é a primeira vez que esse tipo de questionamento é levantado. Segundo ela, a primeira epidemia do zika surgiu na Micronésia e lá não é habitat do Aedes aegypti. Então, outras espécies estariam atuando como vetor. “Na época analisaram o Aedes e não evidenciaram o zika. O que acontece é que isolaram a relação do zika com o Aedes no laboratório, mas a circulação silvestre é totalmente diferente. Ele pode não ser o principal transmissor”, comentou. A prioridade do estudo será o zika vírus e, posteriormente, a febre chikungunya.

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