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James Gathany/CDC/AP

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Entidades fazem apelo por mais de R$ 40 mi para lidar com zika

Pouco depois, Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está montando um plano internacional para padronizar diagnósticos e planeja abrir até 30 centros de monitoramento para tentar identificar o avanço da microcefalia pelo mundo

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Jamil Chade,
Correspondente de O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 08h31

GENEBRA - Entidades internacionais lançaram na manhã desta terça-feira, 2, um apelo para que sejam arrecadados o equivalente a mais de R$ 40 milhões para lidar com a proliferação do zika vírus, principalmente no Brasil. Pouco depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está montando um plano internacional para padronizar diagnósticos e planeja abrir até 30 centros de monitoramento para tentar identificar o avanço da microcefalia pelo mundo.

Segundo Anthony Costelo, diretor do Departamento para Saúde Infantil da OMS, uma unidade foi criada dentro da entidade para elaborar um plano global. Cientistas serão convocados para formular uma estratégia e reuniões com empresas vão se proliferar. 

Uma das dificuldades, explicou Costelo, refere-se à falta de um padrão internacional para medir a circunferência de cabeças de crianças e seu desenvolvimento.

"Precisamos de um padrão para todos para saber qual é o índice real de casos", disse Costello, que contou que especialistas vão se reunir para determinar uma medida. Para ele, não basta apenas medir as cabeças, mas também fazer acompanhamento das crianças nos meses seguintes. "Por isso, precisamos criar centros pelo mundo, principalmente em países em desenvolvimento." Entre 20 e 30 centros devem ser estabelecidos. 

Costello voltou a insistir que a emergência decretada pela OMS nesta segunda-feira, 1, não se refere ao zika vírus, mas, sim, à microcefalia. Mas também alertou que todos os cuidados precisam ser tomados. "Estamos adotando a política de que a associação é culpada até provada inocente", disse.  Para ele, uma comprovação da relação pode ser acelerada se novos instrumentos de diagnósticos forem criados. "Temos dois problemas: o zika não tem um diagnóstico comercial e os teste que detectam o vírus só conseguem registrar quando ele está ativo, que é um período de apenas cinco dias", completou.

Mais recursos. Pela manhã, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) anunciou que pediu que doadores financiem um pacote de US$ 9 milhões para bancar uma operação. Já a Federação Internacional da Cruz Vermelha pede outros US$ 2,3 milhões. "A Unicef pede que haja uma resposta rápida para dar informações às mulheres e engajar com comunidades", indicou a agência para a Infância da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela aponta que vai agir em comunidades no Brasil para fortalecer a resposta contra o vírus. Para isso, a Unicef pede de doadores internacionais US$ 9 milhões. 

Já a Cruz Vermelha espera coletar US$ 2,3 milhões para apoiar "uma resposta regional" para o surto de zika. "O que nos preocupa é o alarmante número de casos e sua potencial associação com a microcefalia e a Síndrome de Guillain-Barré", indicou a Cruz Vermelha. 

Segundo a entidade, se o mosquito afeta a todos, o maior impacto será sentido nas camadas mais pobres. "A única forma de parar o vírus é controlar o mosquito e adotar medidas para reduzir a pobreza", declarou Walter Cotte, diretor da Cruz Vermelha nas Américas. 

O dinheiro solicitado será usado para prevenção, comunicação e controle do vetor. "Temos de agir rápido", disse a diretora da Cruz Vermelha para Saúde, Julie Lyn Hall. 

Honduras. O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, declarou nesta segunda-feira, 1º, o estado de emergência nacional pela propagação do zika vírus, doença que já infectou 3.700 pessoas no país desde dezembro.

A emergência foi decretada durante o Conselho de Ministros dirigido pelo presidente Hernández, indicou a ministra assessora de Estratégia e Comunicação, Hilda Hernández, em mensagem no Twitter.

A ministra da Saúde de Honduras, Yolany Batres, disse aos jornalistas que o país contabiliza 3.649 casos de infecções por zika apenas neste ano, que se somam aos 51 registrados em dezembro, quando o primeiro caso foi confirmado.

Na reunião do Conselho de Ministros, Yolany pediu à população que combata a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do zika, da dengue e da chikungunya.

A ministra enfatizou que a prevenção é a principal ferramenta para reduzir o impacto do zika e recomendou às famílias que mantenham limpos os pátios de suas casas e que não armazenem água em recipientes abertos ao ar livre.

Japão. O Ministério da Saúde do Japão vai obrigar os médicos do país a informar sobre casos relacionados com o zika vírus, em meio ao aumento do contágio de doenças transmitidas por mosquitos que ativou o alerta em nível internacional.

Com a coleta de informação desses pacientes, o Ministério pretende reforçar a vigilância para tomar medidas como o extermínio dos mosquitos que propagam a doença no território japonês, com o objetivo de evitar sua propagação, indicaram nesta terça-feira fontes ligadas ao assunto à agência Kyodo.

Até o momento, não foram registradas infecções por zika no Japão, apenas um casal foi diagnosticado com a doença após retornar de Bora Bora, na Polinésia Francesa, em 2013, e um homem, após voltar da Ilha de Koh Samu, na Tailândia, em 2014. No entanto o mosquito tigre (Aedes albopictus), um dos vetores do vírus, pode ser encontrado no país.

Esse mesmo inseto já foi responsável por um surto de dengue que afetou mais de 100 pessoas há dois anos em Tóquio, o que supôs o primeiro caso de contágio dentro do arquipélago japonês em quase 70 anos. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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