Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Epidemia de cólera poderá matar 11 mil haitianos até o fim do ano

Previsão dá conta de 800 mil novos casos se medidas de combate não forem adotadas

estadão.com.br,

16 Março 2011 | 17h19

SÃO PAULO - Um estudo publicado na revista britânica The Lacet sugere que a previsão de casos de cólera no Haiti foi subestimada. De acordo com as Nações Unidas, cerca de 400 mil pessoas iriam contrair a doença durante este ano, mas uma equipe liderada pelo Dr. Jason Andrews, da Divisão de doenças contagiosas do hospital de Massachusetts, chegou a conclusão que cerca de 800 mil haitianos contrairão a doença até novembro e 11 mil devem morrer em consequência dela.

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Ainda de acordo com o estudo, os números divulgados pelas Nações Unidas eram baseados em suposições de que este tipo de doença atinge uma média de 2% a 4% da população. Já a equipe de Andrews usou informações sobre episódios anteriores da doença, a forma como ela se espalha e dados dos primeiros meses de epidemia no país, que começou em outubro do ano passado e já matou 4.672 pessoas.

Mas a projeção pode diminuir caso seja feito um esforço para combater a doença. Para isso o acesso à água limpa, vacina e antibióticos seriam decisivos. De acordo com o estudo, a redução de 1% no consumo de água contaminada ajudaria a evitar 105 mil casos de cólera e 1.500 mortes. A vacinação de 10% da população poderia evitar 63 mil casos e cerca de 900 mortes. O tratamento com antibióticos ajudaria a prevenir cerca de 9 mil casos e 1.300 mortes. Ou seja, combinando estas medidas, cerca de 170 mil casos e quase 4 mil mortes poderão ser evitadas.

A epidemia da cólera é uma das consequências do terremoto que devastou o país em janeiro de 2010. O último registro da doença, antes da tragédia, tinha mais de 100 anos. O tremor de 7 graus na escala Richter ajudou a destruir o já precário sistema de saneamento básico.

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