Erros médicos matam 15 mil idosos por mês nos hospitais dos Estados Unidos

Cerca de 134 mil enfrentam falhas cirúrgicas e infecções; 44% dos casos poderiam ser evitados

Reuters

17 Novembro 2010 | 19h30

WASHINGTON - Erros médicos e outros problemas adversos matam cerca de 15 mil idosos por mês nos hospitais dos Estados Unidos, informaram pesquisadores do governo na última terça-feira.

Cerca de 13,5% dos pacientes cobertos pelo Medicare (o seguro de saúde federal), ou cerca de 134 mil idosos por mês, têm algum tipo de problema adverso - que inclui falhas cirúrgicas, infecções generalizadas em hospitais e pacientes com queda de açúcar no sangue a níveis muito baixos. Até 44% dos casos poderiam ser evitados, segundo a equipe, que avaliou amostras de 780 beneficiários em um hospital, em outubro de 2008.

Os novos números, que totalizam cerca de 180 mil mortes por ano, foram apresentados em um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Esses dados confirmam os resultados de um balanço do Instituto de Medicina divulgado em 2000, que informava que cerca de 98 mil americanos morriam por ano em decorrência de erros médicos.

"A assistência hospitalar associada a eventos adversos e danos temporários custaram ao Medicare cerca de US$ 324 milhões [R$ 557 mi] em outubro de 2008", conclui o relatório.

O presidente americano, Barack Obama, disse que a reforma no sistema de saúde aprovada em março vai ajudar a reduzir esses erros, com medidas como a expansão do uso de registros médicos eletrônicos.

A União dos Consumidores, que publica a revista Consumer Reports, informou que os pacientes precisam saber quais hospitais têm a maior incidência de erros, para evitá-los.

"Esse relatório mostra que pacientes de hospitais estão sendo prejudicados por erros médicos a uma taxa alarmante. Infelizmente, a maioria dos americanos não têm nenhuma maneira de saber se o hospital está fazendo um bom trabalho, evitando erros médicos", afirmou em comunicado Lisa McGiffert, que integra a entidade.

O documento recomenda que as duas agências do Departamento de Saúde e Serviços Humanos - a Agência de Pesquisa em Serviços de Saúde e Qualidade e o Centro de Serviços do Medicaid e do Medicare (os dois serviços de saúde pública do país) - deveriam adotar novas medidas para incentivar a notificação de eventos adversos e ampliar essa definição, para que as ocorrências sejam identificadas.

O presidente da Associação Americana de Hospitais, Rich Umbdenstock, disse que os hospitais vão trabalhar para melhorar o trabalho realizado. "Os hospitais já estão engajados em importantes projetos para melhorar o cuidado com os pacientes em muitas das áreas mencionadas no relatório. Estamos comprometidos a tomar medidas adicionais para aprimorar o atendimento", informou em comunicado.

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