DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Estado de SP terá plano de emergência contra a dengue a partir de abril

Segundo superintendente de Controle de Epidemias do Estado de São Paulo, serão investidos R$ 10 milhões a R$ 12 milhões

Carina Bacelar e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

24 Março 2015 | 12h40

Atualizada às 21h48
São Paulo terá, a partir de abril, um plano de emergência para o combate à dengue. Dados divulgados nesta terça-feira, 24, pela Secretaria Estadual da Saúde mostram que o Estado já acumula no ano 80.283 casos da doença, 73,8% a mais do que nos três primeiros meses de 2014. Pelo menos 67 pessoas já morreram desde janeiro por complicações da doença. Somados os registros suspeitos, o número de notificações chega a 196.282.
O plano de emergência foi anunciado pelo superintendente estadual de Controle de Epidemias (Sucen), Dalton Pereira da Fonseca Júnior, durante a Reunião Macrorregional Sudeste, Sul e Centro-Oeste promovida ontem pelo Ministério da Saúde, no Rio, para acompanhar a situação da dengue e da chikungunya nos Estados e municípios.
Orçado entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, o plano prevê o reforço de 500 agentes de campo para a ação contra os focos do mosquito. Atualmente, 400 já atuam no Estado. O investimento engloba equipamentos usados pelos funcionários, como uniformes, carros e inseticidas. O orçamento do plano será de menos da metade da previsão inicial, de R$ 25 milhões, segundo Fonseca.

Na semana passada, o Estado mostrou que um terço dos municípios paulistas teve, em apenas dois meses, mais casos de dengue do que o registrado em todo o ano passado. “A grande preocupação é que não conseguimos interromper a transmissão no segundo semestre de 2014. Isso foi um fator predominante para a situação que temos hoje”, disse Fonseca.

A situação é ainda mais preocupante porque o pior período da doença ainda está por vir. Por razões climáticas, o maior número de contaminações por dengue acontece em meados de abril e vai até maio.
De acordo com o superintendente, os principais focos do mosquito em São Paulo são os criadouros em domicílios, como pratos de vasos de plantas e ralos. Diante da procura por reservatórios caseiros para a água, por causa da crise de abastecimento, a Sucen orienta que caixas d’água sejam vedadas.
Na cidade de São Paulo, já foram confirmados 3.404 casos e três mortes, segundo números da Secretaria Estadual da Saúde. O interior do Estado, no entanto, é o mais castigado pela doença. Ontem, a cidade de Assis confirmou a primeira morte pela doença do ano. Já Penápolis informou a ocorrência do sétimo óbito desde janeiro. Ambas as vítimas eram idosas.

País. Também na reunião desta terça, o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho, afirmou que 19 Estados já apresentaram planos de contingência contra a dengue, incluindo todos os das regiões Sudeste e Sul.
Os planos preveem ações de mobilização social. “A gente recomenda (os planos de contingência), como forma de enfrentamento de uma situação epidêmica”, disse. 
Coelho declarou ainda que as diretrizes do Ministério da Saúde para São Paulo continuam as mesmas, mas que o enfoque estadual deve recair sobre os pacientes que já contraíram a doença. “A diretriz continua a mesma, mas o enfoque é justamente no manejo e atenção aos pacientes com dengue.” De acordo com o Ministério da Saúde, até 7 de março deste ano foram notificados 224,1 mil casos da doença no País, o que representa aumento de 162% em relação ao mesmo período de 2014, quando houve o registro de 85,4 mil ocorrências da dengue. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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