FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Estado tem 51 mil casos de dengue; na capital, avanço é de 163%

Neste ano, de 24 mortes no País, 17 aconteceram em São Paulo; casos na cidade se concentram na zona norte e áreas de rodovias

Fabiana Cambricoli e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2015 | 03h00

O número de casos de dengue registrados na capital paulista nas seis primeiras semanas epidemiológicas de 2015 cresceu 163% em relação ao mesmo período do ano passado, mostra balanço divulgado nesta quinta-feira, 26, pela Secretaria Municipal da Saúde. Em todo o Estado, a situação é ainda pior: a quantidade de casos confirmados nos municípios paulistas neste ano é dez vezes maior do que o ano passado, alta equivalente a 900%.

De acordo com dados do boletim epidemiológico da dengue divulgado na quarta pelo Ministério da Saúde, o Estado de São Paulo concentra metade dos registros de dengue de 2015. Já são 51.849 casos confirmados, ante 5.185 no mesmo período de 2014. Em todo o Brasil, já foram 103.616 pessoas contaminadas. E das 24 mortes confirmadas no País, 17 aconteceram em São Paulo.

A capital paulista somou, do início de janeiro até 24 de fevereiro, 563 casos da doença, ante 214 no ano passado. A zona norte da cidade é a área mais afetada pelo problema. A tendência de alta de dengue em relação a 2014 vem sendo observada desde os primeiros balanços divulgados pela Prefeitura neste ano. A administração já admite que 2015 será um ano crítico da doença na cidade, com previsão de cerca de 90 mil casos até dezembro - no ano passado, quando a capital já teve recorde de pacientes infectados, foram 29 mil registros.

O secretário adjunto municipal da Saúde, Paulo Puccini, afirmou nesta quinta, durante a divulgação dos dados, que as altas temperaturas registradas neste verão e o armazenamento de água sem proteção, por causa da crise hídrica, são os principais fatores para o aumento de pacientes infectados. “Além disso, os bairros com maior incidência neste ano ficam próximos de rodovias, o que também colabora para a alta da doença”, disse, referindo-se a distritos da zona norte vizinhos das Rodovias Fernão Dias, Anhanguera e Bandeirantes, que ligam cidades do interior com alta incidência da doença à capital. De acordo com a Prefeitura, caminhões que seguem de diversas localidades rumo a São Paulo podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Concentração. Os dados municipais mostram que metade dos casos confirmados até agora está em apenas cinco bairros da zona norte da capital paulista. Juntos, Limão, Jaraguá, Brasilândia, Casa Verde e Pirituba somam 264 registros.

A Prefeitura investiga a morte de uma idosa moradora da Brasilândia que pode ter sido contaminada pelo vírus. Caso os exames confirmem a hipótese, será o primeiro caso de morte por complicações da doença neste ano. Em 2014, pelo menos 14 pessoas morreram na capital vítimas da dengue. 

A Secretaria Municipal da Saúde disse estar intensificando as ações de prevenção da doença e combate ao mosquito nos bairros com maior incidência. Em toda a cidade, estão sendo realizadas visitas de agentes da Prefeitura para eliminação de possíveis criadores do inseto. A pasta diz, no entanto, que a população deve ficar atenta para não acumular água limpa destampada.

Interior. Se na capital nenhuma morte por dengue foi confirmada no ano, no interior do Estado, o número de óbitos por suspeita da doença sobe a cada dia. Até esta quinta, pelo menos 46 pessoas haviam morrido com sintomas da doença somente neste ano. Como a definição da causa da morte depende de laudo do Instituto Adolfo Lutz, só 17 casos foram confirmados como decorrentes da doença.

Apenas em Catanduva, no norte paulista, 18 pessoas morreram desde janeiro com diagnóstico da doença. De acordo com a prefeitura, sete óbitos foram confirmados. A cidade tem 3.080 registros da doença e 4.568 à espera de resultados.

Em Marília, aconteceram dez mortes neste ano com a dengue diagnosticada no atendimento hospitalar, mas a prefeitura considera só três casos confirmados. Em Sorocaba, são seis mortes - uma confirmada e as outras à espera dos exames. Guararapes, na região noroeste, teve cinco pessoas mortas com dengue - três casos com exame positivo. Em Rio Claro, são duas mortes suspeitas. Houve mortes ainda em Assis, Caraguatatuba, Lins, Limeira e Rubiácea. 

A Secretaria da Saúde do Estado informou dispor só dos dados de janeiro de 2015, quando ocorreram 5.355 casos confirmados de dengue no Estado - 40 infecções por 100 mil habitantes. Em todo o ano passado, foram 193,6 mil casos. Oficialmente, sete mortes por dengue foram confirmadas no Estado.

Os dados do boletim do Ministério da Saúde, mais atualizados, além de apontarem mais de 50 mil casos no Estado, mostram que São Paulo já teve 27 pacientes que evoluíram para quadros graves e outros 195 com sinais de alarme. Em ambos os casos, a doença se manifesta de forma mais severa e pode levar à morte.

Com o aumento de casos no Estado, São Paulo já ultrapassou o índice de incidência considerado baixo pelo Ministério (abaixo de 100 casos por 100 mil habitantes). A taxa acumulada em menos de dois meses do ano já está em 117,7. É o terceiro maior índice de incidência do País - só perde para o Acre, com taxa de 517,3 casos por 100 mil habitantes, e Goiás (221,7).

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