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‘Estou largando tudo para cuidar da minha bebê’, afirma mãe

- Atualizado: 29 Fevereiro 2016 | 09h 19

Emprega doméstica de 30 anos preferiu abrir mão da própria vida para ficar ao lado da filha Ana Cecília, de 2 meses, com microcefalia

JOÃO PESSOA, RECIFE E TERESINA - A empregada doméstica Luciana da Silva Lima, de 30 anos, de João Pessoa, na Paraíba, preferiu abrir mão da própria vida para ficar ao lado da filha Ana Cecília, de 2 meses, que nasceu com microcefalia aguda. “Pedi demissão do meu trabalho, não vejo direito minha outra filha de 5 anos e estou largando tudo para cuidar da minha bebê.” Quase todo dia ela precisa viajar mais de quatro horas de Cacimba de Dentro, no interior, para chegar ao ambulatório de microcefalia montado pelo Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa.

Embora apoiada pelo marido, que a acompanha na rotina de viagens, ela perdeu contato com outras pessoas da família. “Tive zika com três meses de gravidez. Quando soube da microcefalia, fiquei muito abalada e abandonei tudo.” Ela e o marido saem das sessões de fisioterapia e reabilitação esperando alguma melhora nos movimentos do bebê.

7 perguntas e respostas sobre a microcefalia
REUTERS / Ueslei Marcelino
O que é microcefalia?

É uma má-formação congênita em que a criança nasce com o perímetro cefálico menor do que o convencional, que é de 32 centímetros. Isso significa que o cérebro não se desenvolveu da maneira esperada.  

Como Luciana, outras 30 mães já são acompanhadas no ambulatório e 70 estão na fila do diagnóstico. De acordo com a coordenadora da unidade neonatal, Juliana Soares, não há casos de bebês abandonados porque as mães não abrem mão. “São elas que abandonam as próprias vidas em função dos filhos. Muitas vezes perdem o marido. Quando o vínculo com o marido não é forte, ele abandona mulher e filhos.”

Sem o companheiro. Foi o que aconteceu com Yanca Mikaelle de Lima, de 18 anos. Aos sete meses de gravidez, quando o ultrassom revelou que o bebê em sua barriga tinha microcefalia, tudo o que ela esperava era o apoio do marido. Afinal, estavam juntos havia dois anos e tinham outro filho pequeno. A menina Sofya Emanuelle nasceu no dia 31 de janeiro, na maternidade de Campina Grande, com a má-formação diagnosticada nos exames.

Quando saíram do hospital e voltaram para casa, ela notou que o comportamento do marido havia mudado. Foi ele quem sugeriu que Yanca se mudasse para a casa da mãe, onde, segundo alegou, ela seria melhor cuidada. Aos poucos, a família do marido também se afastou. O casal está separado. A mulher conta que o ex-marido vai visitá-la apenas para buscar o outro filho do casal de 1 ano e 10 meses, mas não se preocupa em saber como está Sofya.

Na quinta-feira da semana passada, ela ainda tinha esperança em reatar o relacionamento. “A gente tem dois filhos e ainda gosto muito dele, mas não está tendo atitude de pai de verdade.”

Sim, é possível fazer o diagnóstico por meio de exames de imagem. 

Sim, é possível fazer o diagnóstico por meio de exames de imagem. 

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