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EVELSON DE FREITAS / AE

Estudantes da USP fazem paralisação em defesa do Hospital Universitário

Manifesto do Centro Acadêmico diz que o hospital, que recebe 2.430 estudantes por ano, passa por grande dificuldade de gestão

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José Maria Tomazela ,
O Estado de S. Paulo

18 Abril 2017 | 19h13

SOROCABA - Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) programaram uma paralisação, nesta quarta-feira, 19, em protesto contra o sucateamento do Hospital Universitário da USP. Manifesto divulgado pelo Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) informa que o hospital, que recebe 2.430 estudantes por ano, passa por grande dificuldade de gestão, em um momento em que a reitoria quer desvincular o HU da universidade. 

Segundo a nota, ao menos 200 funcionários foram demitidos nos últimos anos, resultando em fechamento de leitos e prontos atendimentos, e em diminuição na oferta de saúde para a região oeste da capital, que tem o hospital como referência para o serviço secundário de saúde. O impacto, afirma, é ainda maior na formação de todos os estudantes de saúde que possuem vivências, estágios, aprimoramentos e pós-graduação no HU.

Uma série de eventos vai acontecer em uma mobilização que se inicia na Faculdade de Medicina, em Pinheiros, e prossegue em frente ao hospital, na Cidade Universitária. A manifestação é conjunta com o Centro Acadêmico Arnaldo Vieira de Carvalho (CAAVC) e tem apoio de representações acadêmicas da Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, além do sindicato dos médicos e de funcionários da instituição. "Vamos discutir as consequências dessa possível desvinculação e alternativas de soluções que contem com a opinião dos moradores da região e dos estudantes, funcionários e docentes da USP", disse Deivid Déda, da diretoria do CAOC.

Segundo ele, o hospital está saturado de demandas da atenção primária por causa da baixa densidade de equipamentos da atenção básica na região oeste, o que também mereceria um posicionamento do município. Ele lembrou que o Hospital das Clínicas da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) teve sua gestão desvinculada na tentativa de solucionar sua crise, mas relatórios independentes mostram que a ação foi prejudicial ao próprio hospital e ao ensino. 

De acordo com Gerson Salvador, diretor do Simesp e médico do HU, o hospital enfrenta a pior crise de todos os tempos, com redução de 25% nos leitos. "Há muitos leitos fechados devido à falta de profissionais que vem aumentando desde a implantação do plano de incentivo de demissão voluntária, instituído pela reitoria."

Procurada pela reportagem, a reitoria da USP informou que não se manifestaria sobre as questões colocadas pelos estudantes. Esclareceu, no entanto, que o programa de incentivo à demissão voluntária foi voltado para todos os funcionários da universidade, não apenas ao HU.

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