Estudo busca inibir deterioração das células do tecido cardíaco após enfarto

Parceria entre Incor e Instituto nos EUA busca evitar novos ataques e reduzir tempo de recuperação

Agência Fapesp,

09 Fevereiro 2011 | 18h54

SÃO PAULO - Um enfarto do miocárdio pode acarretar ao paciente um dano tão grande que o restabelecimento do fluxo sanguíneo por meio de técnicas convencionais talvez não seja suficiente. Para reparar tal estrago, seria necessário criar novos vasos ou até mesmo substituir o tecido danificado.

 

Esse é o desafio que a equipe de José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (Incor) e professor titular em Genética e Medicina Molecular do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), enfrentará ao lado de um grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

 

A ideia do intercâmbio entre as duas instituições é desenvolver alternativas para inibir ou ao menos retardar a deterioração das células do tecido cardíaco após o enfarto. "O tratamento evitaria novos enfartos e reduziria o tempo de recuperação do paciente", disse Krieger à Agência FAPESP.

 

Atualmente, ao sofrer um enfarto do miocárdio, uma pessoa pode ser submetida a três tipos de tratamentos. Dependendo do quadro clínico, o médico pode optar pelo uso de medicamentos ou pela hemodinâmica, na qual é inserido um balão ou stent na artéria por meio de um cateter. Outro procedimento é a vascularização cirúrgica ou, em alguns casos, o especialista pode recorrer à combinação dos tratamentos.

 

"A nova técnica utiliza o conceito de engenharia de tecidos para combinar células e uma matriz biopolimérica para prevenir a morte das células próximas ao enfarto e, ao mesmo tempo, estimular a formação de novos vasos", explicou Krieger. O grupo está desenvolvendo uma mistura gelatinosa que permite reter as células no local desejado, dentro do miocárdio ou em seu entorno, além de estimular fatores de crescimento nas células residentes. Em linhas gerais, esses biopolímeros funcionam como uma espécie de cola.

 

Com esses plásticos biológicos feitos a partir de fibrina ou colágeno (retirados do próprio paciente) ou materiais sintéticos, os pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil esperam estimular a formação de novos vasos e, ao mesmo tempo, reduzir o processo da fibrose. "O mecanismo ainda não foi totalmente elucidado. Precisa ser mais investigado", afirmou Edelman.

 

Edelman afirma, entretanto, que "a melhora associada à fibrose e a preservação da forma e tamanho do ventrículo permitem especular que há influência da sinalização parácrina nesse processo", afirmou Edelman. A sinalização parácrina é um tipo de sinalização que tem como alvo apenas as células que estão na vizinhança da célula emissora do sinal.

 

Mais informações sobre a chamada FAPESP-MIT pode ser acessadas aqui.

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