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Estudo fará necropsia de bebês com microcefalia

Hospital do Rio quer aproveitar análise de mortes com más-formações para saber como o vírus age e quais os órgãos que podem ser afetados

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Clarissa Thomé,
O Estado de S. Paulo

12 Março 2016 | 03h00

RIO - O Hospital Universitário Gafrée e Guinle, no Rio, passará a fazer a necropsia de crianças que morrerem com suspeita de microcefalia e outras más-formações em decorrência de zika. O convênio foi firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde e a instituição. “Esse trabalho será mais uma peça no quebra-cabeça para tentar demonstrar como o vírus age no cérebro e a ligação com a microcefalia”, afirmou Fernando Ferry, superintendente do hospital.

Já se sabe que a infecção viral causa danos nos tecidos. Os pesquisadores do setor de anatomia patológica da instituição vão procurar quais outros órgãos podem ser afetados pelo zika. “Vamos descrever qual o dano que o vírus pode causar, quais outros sistemas acomete, como causa essa lesão e como é a resposta imune. Isso nos permitirá conhecer melhor como o vírus causa a doença”, explicou.

A instituição comprou o aparelho C-Bondmax, alemão, que faz a análise dos tecidos pelo método de imuno-histoquímica e permite localizar o vírus em 48 amostras ao mesmo tempo. “Isso acelera muito o resultado. É possível fazer essa análise manualmente, mas demora o triplo do tempo e há chance de erro”, afirma Ferry.

Assistência. O Gafrée e Guinle também passará a atuar na assistência às crianças diagnosticadas com microcefalia e síndrome congênita de zika. O hospital fará o atendimento nas especialidades de oftalmologia e otorrinolaringologia, para avaliar se os bebês têm sequelas na visão ou auditivas. De acordo com Ferry, a instituição tem capacidade de atender em um mês os 231 bebês já nascidos que tiveram diagnóstico de microcefalia. 

O hospital fará ainda exames de sangue pela técnica PCR, por biologia molecular, que permite identificar se a pessoa está com o vírus da zika. Atualmente, o Laboratório Central (Lacen) está concentrando as análises. O Estado tem 5.660 casos de grávidas com exantema e apenas 235 com exame positivo para dengue. Os serviços de análises estão sobrecarregados – recebem cerca de 400 novas amostras de sangue por dia para testes de zika. Além disso, alguns municípios do Estado enfrentam epidemia de dengue. 

Somente neste ano foram registrados 21.948 casos de dengue até 8 de março. “Esse é um momento muito triste na história da saúde. Infelizmente, não existe um culpado para isso. A gente tem de dar uma resposta. A postura de todos tem de ser indagar o que pode ser feito para ajudar nesse processo”, afirmou Ferry.

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